A História do Castelo de Kushinagar

The Parinirvana Temple with the Parinirvana St...

Templo do Parinirvana em Kushinagar - Image via Wikipedia

Rugido do Leão disse: “Oh Honrado pelo Mundo! Há seis grandes castelos nos dezesseis grandes etados [isto é, os estados do Ganges ou cidades-castelo nos tempos do Buda], a saber: Sravasti, Saketa, Campa, Vaisali, Varanasi e Rajagriha. Esses grandes castelos são os maiores no mundo. Por que é que o Tathagata deixa esses lugares com a intenção de entrar no Nirvana neste distante, ruim, muito feio e pequeno Castelo de Kushinagar?”

“Oh bom homem! Não diga que Kushinagar é um castelo distante, ruim, muito feio e pequeno. Esse castelo é adornado com maravilhas e virtudes. Por quê? Porque esse é um lugar que todos os Budas e Bodhisattvas têm visitado. Oh bom homem! Mesmo a casa de uma pessoa humilde pode ser chamada de ‘grande e perfeita na virtude’, digna da visita de um grande rei, caso aconteça de ele vir e passar por lá. Oh bom homem! [Imagine] uma pessoa que está seriamente doente e que toma um remédio sujo e ruim. Sua doença é curada, a alegria surge, e esse remédio se torna o melhor e mais maravilhoso [dos remédios]. Ela o elogia e diz que ele realmente curou a sua doença.

Oh bom homem! Um homem está num navio no grande oceano. Subitamente, o navio se parte, e não há nada com que se possa contar. O homem agarra-se a um cadáver e procura a outra margem. Alcançando a outra margem, ele encontra-se feliz e elogia enormemente o cadáver, dizendo que ele teve sorte de encontrá-lo e seguramente encontrou a paz. É o mesmo caso com o Castelo de Kushinagar, o qual todos os Budas e Bodhisattvas têm visitado. Como alguém poderia dizer que ele é um castelo distante, ruim, acanhado e pequeno?

Oh bom homem! Lembro-me que certa vez, em tempos remotos, há muitos kalpas atrás tão inumeráveis quanto às areis do Rio Ganges, houve uma era chamada de kalpa ‘Suprabuda’. Naquela ocasião, existiu um rei sagrado chamado Kausika. Totalmente dotado dos Sete Tesouros e 1.000 filhos, esse rei construiu então este castelo. Ele media 12 yojanas na largura e no comprimento. Era adornado com os Sete Tesouros. O solo era bom. Havia rios aqui, cujas águas eram puras e límpidas, e de doce sabor. Eles eram: Nairanjana, Airavati, Hiranyavati, Usmodaka, e Vipasa. Havia cerca de 500 outros rios. Ambas as margens eram preenchidas com árvores frondosas que davam flores e frutas, todas frescas e puras. Naquela ocasião, a duração da vida de uma pessoa era imensurável. Então, passados 100 anos, o Chakravartin [podereso imperador] disse: ‘Exatamente como o Buda diz, todas as coisas são não-eternas. Alguém que pratique as dez boas ações acaba com todas as aflições do não-eterno’. As pessoas, ao ouvirem isto, todas praticaram as dez boas ações. Eu, naquela ocasião, ao ouvir o nome do Buda, pratiquei as dez boas ações, meditei e aspirei ao Insuperável Bodhi [Iluminação]. Ao aspirar, também transferi esse Dharma aos inumeráveis e ilimitados seres e disse que todas as coisas são não-eternas e estão sujeitas às mudanças e dissolução. Em razão disto, Eu agora continuo e digo que todas as coisas são não-eternas, são aquelas que mudam e se dissolvem, e que somente o Corpo-do-Buda é Eterno. Lembro-me do que fiz através das relações causais. Esse é o porquê agora vim aqui, pretendo entrar no Nirvana e retribuir o que devo a este lugar. Por essa razão, Eu digo no sutra: ‘Meus parentes sabem como retribuir o que eles me devem’.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 36, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 4.

the kushinagar castle history.mp3

Por Que Praticamos

“Oh bom homem! A prática do Shila [preceitos de moralidade] é para a quietude do nosso próprio corpo. A prática do Samadhi é para a quietude de nossa própria mente. A prática da Sabedoria é para a erradicação das dúvidas. Erradicar dúvidas é praticar a Via. Praticar a Via é ver a Natureza de Buda. Ver a Natureza de Buda é atingir a Iluminação Insuperável. Atingir a Iluminação Insuperável é chegar ao Insuperável Grande Nirvana. Chegar ao Grande Nirvana é apartar todos os seres do nascimento e da morte, de todas as impurezas, de todas as existências [mundanas], de todos os reinos, de todas as verdades dos seres. Cortar [esses] nascimentos e mortes, e satya [realidade, presumivelmente ‘realidade mundana’] é atingir o Eterno, Êxtase, o Eu e o Puro.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 36, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 4.

why we practice.mp3

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