O Menino Insuperável

“Oh bom homem! Uma pessoa pode muito bem aproximar-se do Buda e seus discípulos. Mas, ainda haver uma grande distância. Todos os Licchavis disseram: ‘Sabemos que somos indolentes. Por quê? Se não fôssemos indolentes, o Tathagata, o Rei do Dharma, apareceria entre nós’.

Então, em meio aos congregados, havia o filho de um Brâmane chamado Insuperável, que disse a todos os Licchavis: ‘Bem falado, bem falado! É tudo como vocês dizem. O Rei Bimbisara obteve uma grande vitória. O Tathagata Honrado pelo Mundo apareceu em seu país. Isso é como o caso de um grande lago no qual o lótus maravilhoso cresce. Embora cresça na água (lodo), a água não pode maculá-lo. Oh vocês Licchavis! É o mesmo com o Buda. Embora nascido na terra, ele não é obstaculizado pelo que se obtém no mundo secular. Com o Buda Honrado pelo Mundo, não há aparecimento e desaparecimento (ou nascimento e extinção). Para o benefício de todos os seres, ele aparece no mundo, e não é molestado pelo que se obtém no mundo. Vocês perderam o seu caminho, perderam-se nos cinco desejos, associaram-se a eles, mas não sabem como se associar ao Tathagata e vir para onde ele está. Portanto, dizemos indolentes. Quando o Buda apareceu em Magadha, não havia indolência para se falar a respeito. Por que não? O Tathagata Honrado pelo Mundo é como o sol e a lua. Ele não aparece no mundo apenas para uma ou duas pessoas’.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 37, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 5.

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A História do Monastério de Jetavana

View on a section of Jetavana Monastery (in Sr...

Vista externa do Monastério de Jetavana, em Sravasti - India - Imagem via Wikipedia

“Então, Shariputra foi para Sravasti, cavalgando junto com Sudatta. Através do meu poder transcendental, eles chegaram ao seu destino em um dia. Então, Sudatta disse a Shariputra: ‘Oh Altamente Virtuoso! Afora deste portão, há um lugar bem adequado para a finalidade. Não é próximo e nem distante, onde há muitas nascentes e lagos, muitas florestas com flores e frutos; e o lugar é puro, quieto e amplo. Construirei Viharas [monastérios – locais de residência] lá para o Buda e seus Monges’. Shariputra disse: ‘A floresta do Príncipe Jeta não é próxima e nem distante. É pura e quieta. Há muitas nascentes e córregos. Há flores e frutos da estação. Esse é o melhor lugar. Construamos um Vihara lá’.

Então, ao ouvir isto, Sudatta foi ao grande homem rico, Jeta, e lhe disse: ‘Eu agora desejo construir um Vihara Budista e dedicá-lo a alguém insuperável no Dharma, em um lugar que lhe pertence. Agora desejo comprá-lo de você. Você o venderia para mim’? Jeta disse: ‘Não o venderei, mesmo que você cubra o chão com ouro’. Sudatta disse: ‘Bem falado! A floresta pertence a mim. Tome meu ouro’. Jeta disse: ‘Não estou vendendo a floresta para você. Como posso pegar o seu ouro’? Sudatta disse: ‘Se você não estiver satisfeito, irei ao magistrado’. E ambos foram juntos ao magistrado. O magistrado disse: ‘A floresta pertence a Sudatta. Jeta deve pegar o ouro’. Sudatta imediatamente enviou homens com cargas de ouro sobre carroças e cavalos. Quando chegaram, ele cobriu o chão com ouro. Em um único dia viu-se uma área de 500 ‘bu’ [unidade de medida de terra Chinesa, em torno de 6 ou 6.4 pés] coberta; e ainda não estava tudo coberto. Jeta disse: ‘Oh homem rico! Se você tem algum arrependimento dentro de você, está completamente livre para cancelar o negócio’. Sudatta disse: ‘Não sinto qualquer arrependimento’. Ele pensou para si qual dos depósitos ele abriria agora para obter ouro para a área ainda deixada sem cobertura. Jeta pensou para si: ‘O Tathagata, Rei do Dharma, é realmente alguém insuperável. As coisas maravilhosas que ele ensina são puras e imaculadas. Esse é o porquê esse homem pensa assim tão despreocupadamente sobre este tesouro’. Ele então disse a Sudatta: ‘Não necessito agora de qualquer ouro para o que permanece descoberto. Por favor, pegue-o. Eu mesmo construirei um portão para o Tathagata, tal que ele possa entrar e sair dele’. Jeta construiu o portão e, em sete dias, Sudatta construiu um grande Vihara numa área de 300 ‘ken’ [o ‘ken’ mede cerca de 6 pés] na largura e no comprimento. Havia quartos para meditação silenciosa em número de 63. Os aposentos eram diferentes para o inverno e para o verão. Havia cozinhas, banheiros, e um lugar para lavar os pés. Havia dois tipos de lavatórios.

Concluídas as construções, ele (Sudatta) pegou um incensório e, apontando na direção de Rajagriha, disse: ‘As obras estão completas agora. Oh Tathagata! Por favor, tenha piedade e ocupe este lugar, e fique (viva) aqui para o bem dos seres’. Tão logo li o pensamento desse homem rico à distância, parti de Rajagriha. No curto espaço de tempo que leva um homem forte e jovem para dobrar e estender seu braço, viajei para Sravasti, para Jetavana, e tomei posse do Monastério de Jetavana. Quando cheguei ao local, Sudatta o dedicou-me. Eu então o recebi e o habitei.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 36, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 4.

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