Os Alaúdes do Nairanjana

Rio Niranjana ao pôr do sol

Rio Nairanjana com o Templo Mahabodhi ao pôr do sol em Bodhgaya. Click na imagem para site de origem.

As águas claras do Nairanjana fluíam através de uma terra rica e fértil. Pequenas aldeias dormitavam à sombra de árvores magníficas, e grandes prados estendiam-se na distância. O herói pensou: “Quão agradável é aqui; é um lugar convidativo para se meditar! Talvez, aqui, encontrarei o caminho para a sabedoria. Residirei aqui.”

Ele tornou-se profundamente absorto em contemplação. Estava tão entretido com seus pensamentos que parou a respiração e, certo dia, caiu desacordado. Os Deuses, que o estavam observando do céu, pensaram que ele estava morto, e gritaram:

“Está morto, esse filho dos Shakyas? Será que ele morreu e deixou o mundo por seu sofrimento?”

Maya, a mãe do herói, vivia em meio aos Deuses. Ela ouviu seus gritos e clamores, e temeu pela vida do seu filho. Acompanhada por uma multidão de Apsaras, ela desceu às margens do Nairanjana, e quando viu Siddhartha, tão rígido, tão inerte, ela chorou.

Ela disse: “Quando você nasceu no jardim, estava certa, oh meu filho, que você contemplaria a verdade. Depois, Asita profetizou que você libertaria o mundo. Mas eram mentirosas aquelas profecias. Você não ganhou fama por qualquer conquista real, você não atingiu a suprema sabedoria! Você morreu, deploravelmente e sozinho. Quem poderá lhe ajudar, oh meu filho? Quem trará você de volta à vida? Por dez luas carreguei você em meu útero, oh minha jóia, e agora só posso lamentar.”

Ela espalhou flores sobre o corpo do seu filho, ao que ele se mexeu e falou-lhe numa voz suave:

“Não tenha medo, mãe; seus esforços não foram em vão; Asita não lhe disse mentiras. Mesmo se a terra fosse transformada em pó, mesmo se a montanha Meru submergisse nas águas, mesmo se as estrelas caíssem como chuva sobre a terra, eu não morreria. Somente Eu, de todos os homens, sobreviveria à ruína do mundo! Não chore, mãe! Aproxima-se o tempo quando atingirei a suprema sabedoria.”

Maya sorriu ao ouvir as palavras do seu filho; ela curvou-se por três vezes, e então ascendeu ao céu, sob o som de alaúdes celestiais.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

O Encontro com Bimbisara

No dia seguinte, Bimbisara retirou-se da cidade e chegou à montanha. Ele deixou a sua carruagem e, completamente só, caminhou em direção à árvore em cuja sombra o herói estava sentado. O rei parou próximo à árvore e, mudo com admiração, reverentemente olhou pasmado para o mendigo.

Então, curvando-se humildemente, disse:

“Eu ví você e grande é a minha alegria! Não fique aqui neste lado solitário da montanha; não durma mais sobre o chão duro. Você é belo, resplandecente em juventude; venha para a cidade. Dar-lhe-ei um palácio, e todos os seus desejos serão satisfeitos.”

“Meu senhor”, respondeu o herói, numa voz gentil, “meu senhor, você pode viver muitos anos! Desejos nada significam para mim. Levo a vida de um eremita; conheço a paz.”

“Você é jovem”, disse o rei, “você é belo, é fogoso; seja rico. Você terá as mais belas donzelas do meu reinado para servi-lo. Não vá embora; fique e seja meu companheiro.”

“Eu renunciei grandes riquezas”, disse o herói.

“Dar-lhe-ei metade do meu reinado.”

“Renunciei ao mais belo dos reinados.”

“Aqui você poderá satisfazer todos os seus desejos.”

“Conheço a fatuidade de todos os desejos. Desejos são como veneno; homens sábios desprezam-lhes. Eu os tenho descartado como se jogasse fora um punhado de palha seca. Desejos são tão efêmeros (transitórios) quanto o fruto em uma árvore, são tão instáveis quanto as nuvens no céu, são tão traiçoeiros quanto a chuva, são tão inconstantes quanto o vento! O sofrimento nasce do desejo, para que nenhum humano jamais satisfaça todos os seus desejos. Mas os que buscam a sabedoria, que ponderam a verdadeira fé, são os que encontram a paz. Quem bebe água salgada aumenta a sua sede; quem foge do desejo tem a sua sede aplacada. Não conheço mais o desejo. Eu busco a verdadeira lei.”

O rei disse:

“Grande é a sua sabedoria, oh mendigo! Qual é o seu país? Onde está seu pai? Onde está sua mãe? Qual é o seu castelo? Fale!”

“Você já ouviu falar da cidade de Kapilavastu, oh rei? É uma cidade próspera. O rei, Suddhodana, é meu pai. Deixei-o para vagar e esmolar.”

O rei respondeu:

“A boa sorte o assiste! Estou feliz agora que o vi. Entre a sua família e a minha há uma amizade de longa data. Tenha piedade de mim, e quando tiver alcançado a iluminação, digne-se a ensinar-me, oh mestre.”

Ele curvou-se três vezes, e então retornou a Rajagriha.

O herói ouviu que próximo a Rajagriha vivia um famoso eremita chamado Rudraka, filho de Rama. Esse eremita tinha muitos discípulos, os quais ele instruiu na lei. O herói foi ouvir os seus ensinamentos, mas como Arata Kalama, Rudraka nada sabia da verdadeira lei, e o herói não permaneceu.

Logo ele veio para as margens do Nairanjana. Cinco dos discípulos de Rudraka juntaram-se a ele, a saber: Kaundinya, Asvajit, Vashpa, Mahanaman e Bradrika.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Japan, Otsu – Shiga

Nesses lugares há pessoas que visitam Cristal Perfeito. Faça-lhes uma visita de cortesia!

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France, Sanary-sur-mer – Provence-alpes-cote D’azur

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A Vida do Buda – Parte 2

Veja a versão legendada em português do documentário The Life of the Buddha feito pela BBC, sobre a história da Vida do Príncipe Siddhartha, o qual se tornaria o Buda Shakyamuni.

Prezado leitor,

N.T. Esta foi a Parte 2/5 da fantástica e maravilhosa Vida do Buda Shakyamuni, cuja tradução para o português do Brasil vem sendo publicada aqui no Cristal Perfeito sob as tags AVida do Buda, Grandes Personagens do Lótus e Lugares Sagrados do Budismo. Acompanhe os posts relacionados para absorver a riqueza literária dessa história. Mas também, para além do sentido literário, absorver dessa história os ensinamentos daquele que se revelaria o Buda, Honrado pelo Mundo, numa linguagem coloquial, porém, sem perda dos profundos significados ali contidos.

Esforçar-se para compreender: Não há Budismo sem . Não há Budismo sem estudo (conhecimento) da experiência Búdica. Não há Budismo sem prática (percepção) dessa experiência dentro de nossas vidas.

Tenha um ótimo fim de semana!

Marcos Ubirajara.

Sutra do Nirvana – Cap. 44 – Bodhisattva Kashyapa 5

“O Bodhisattva medita: ‘Se a membrana não fosse não-eterna, ela não poderia tornar-se (tecido) esponjoso. E se o auge da vida não fosse não-eterno, a velhice nunca chegaria. Se o tempo não fosse fugaz, momento após momento, ele nunca poderia durar muito. Tudo teria que crescer ao mesmo tempo e ser pleno no tamanho. Por isso, deve-se saber definitivamente que há existências de minúsculas partículas não-eternas, as quais têm que seguir existindo continuamente [isto é, mudando de momento a momento]. Também, vemos uma pessoa com todos os seus sentidos orgânicos perfeitos, e de uma fisionomia brilhante e resplandecente, [apenas para] tudo isto desaparecer (ser consumido) num estado debilitado’.”

Leia mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

Steve Jobs

Steve Jobs

Obrigado Steve Jobs, por ter feito da sua passagem por este mundo, os meios para promulgação ampla e irrestrita do Dharma Maravilhoso; e da sua própria vida, os meios para compreendê-lo.

Minhas sinceras homenagens a quem tanto fez para que isso fosse possível hoje.Minhas condolências aos seus familiares e entes próximos – Marcos Ubirajara.

SUTRA DO NIRVANA - CAPITULO 44

Click na imagem para leitura on-line ou download

Destaques deste Capítulo:

O Remédio Todo-Maravilhoso dos Himalayas 3

Meditar Sobre Imagem 7

Meditar Sobre a Causa da Imagem 9

Meditar sobre o Desejo 11

Meditar Sobre o Carma 12

Meditar Sobre a Causa do Carma 13

Meditar Sobre o Resultado Cármico 13

O Carma Imaculado 14

Meditar Sobre o Sofrimento 17

A Casa do Tesouro 18

Da Raiz ao Ultimado 24

O Toque do Brilho 26

Do Sentimento à Consecução 26

A Meditação Grosseira 30

A Meditação Minuciosa 32

O Brilho da Sabedoria 38

Extinção Momentânea 39

A Aparição em Rajagriha

Certa manhã, o herói pegou a sua tigela de donativos e entrou na cidade de Rajagriha. As pessoas que por ele passavam na estrada admiravam a sua beleza e o seu porte nobre. “O que é este homem?”, eles imaginavam. “Ele é como um Deus, como o Shakra ou Brahma em pessoa”. Dentro em pouco, estava sendo propalado que um ser maravilhoso estava vagando pela cidade, esmolando. Todos queriam ver o herói; seguiram-no, e as mulheres corriam para as janelas quando ele passava. Mas ele solenemente seguiu seu caminho, enquanto uma estranha luz apareceu sobre a cidade. Um homem correu para informar ao rei que um Deus, nada menos, estava esmolando nas ruas da cidade. O rei Bimbisara acorreu ao terraço do palácio; ele viu o herói. Seu esplendor deslumbrou-lhe. Ele enviou seus donativos, e deu ordens para que o seguissem, no sentido de descobrir o seu retiro (abrigo). Dessa forma, o rei soube que o magnífico pedinte vivia na encosta da montanha, próximo à cidade.

Prisão de Bimbisara

Prisão de Bimbisara, onde o Rei foi preso pelo seu filho Ajatashatru - Fonte: Wikipedia

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Doutrina de Arata Kalama

Siddhartha entrou no eremitério onde o sagrado Arata Kalama ensinava a doutrina da renúncia a um grande número de discípulos. Onde quer que ele (Siddhartha) aparecesse, todos o admiravam; onde quer que ele fosse, lá resplandecia uma luz maravilhosa. Os monges ouviam com alegria quando ele falava, pois que sua voz era doce e poderosa, e ele era persuasivo. Um dia, Arata Kalama disse-lhe:

“Você compreende a lei tão bem quanto a compreendo; tudo o que conheço, você conhece. A partir de agora, se desejar, compartilharemos o trabalho; ambos ensinaremos os discípulos.”

O herói perguntou-se: “A lei que Arata ensina é a verdadeira lei? Ela conduz à libertação?”

Ele pensou: “Arata e seus discípulos levam uma vida de grande austeridade. Eles recusam alimentos preparados pelos humanos; comem somente frutas, folhas e raízes; bebem somente água. Eles são mais abstêmios do que os pássaros que bicam as sementes, do que o cervo que mordisca a grama, do que as serpentes que inalam (inspiram) a brisa. Quando eles dormem, é sob um dossel de ramos; o calor do sol castiga-lhes; expõem seus corpos ao vento cortante; ferem seus pés e joelhos sobre os cascalhos da estrada. Para eles, a virtude vem somente com sofrimento. E pensam que são felizes, por acreditarem que ao praticar a perfeita austeridade, ganharão o direito de ascender ao céu! Sim, eles ascenderão ao céu! Mas a raça humana continuará a sofrer da velhice e da morte! Levar uma vida de austeridade e ser indiferente ao constante mal do nascimento e da morte é simplesmente acrescentar sofrimento ao sofrimento. Os humanos tremem na presença da morte, e ainda assim fazem tudo para renascer; assim, seguem mergulhando mais e mais fundo no abismo (cova) que eles tanto temem. Se mortificar a carne é um ato de piedade, então deve ser ímpio condescender com a sensualidade, no entanto, mortificações neste mundo são seguidas por gratificações no próximo (mundo), e assim a retribuição da piedade é a impiedade. Se, para ser santificado, é suficiente simplesmente ser abstêmio, então os cervos seriam santos, e aqueles humanos que perderam a casta (rebaixados) também seriam santos, por uma má sorte ter tornado inatingível o prazer para eles. Mas, se dirá: é a intenção de sofrer que desenvolve a virtude religiosa. A intenção! Podemos pretender gratificar nossos sentidos tanto quanto podemos pretender sofrer, e se a intenção de gratificar nossos sentidos não vale nada, por que a intenção de sofrer teria qualquer valor?”

Assim ele ponderou no eremitério do Arata Kalama. Ele viu a fatuidade da doutrina que o mestre estava a ensinar, e disse-lhe:

“Não ensinarei sua doutrina, Arata. Quem a conhece não encontrará a libertação. Deixarei seu eremitério, e buscarei a regra à qual devemos nos submeter antes do que possamos fazer com o sofrimento.”

E o herói partiu para o país de Magadha, e lá, solitário e absorvido em meditação, habitou a encosta de uma montanha, próximo à cidade de Rajagriha.

Torre da Paz Mundial em Rajagriha

Torre da Paz Mundial em Rajagriha, construída pela Sangha Budista do Japão. Click na imagem para site de Origem

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Vida do Buda – Parte 1

Veja a versão legendada em português do documentário The Life of the Buddha feito pela BBC, sobre a história da Vida do Príncipe Siddhartha, o qual se tornaria o Buda Shakyamuni.

Prezado leitor,

N.T. Esta foi a Parte 1/5 da fantástica e maravilhosa Vida do Buda Shakyamuni, cuja tradução para o português do Brasil vem sendo publicada aqui no Cristal Perfeito sob as tags AVida do Buda, Grandes Personagens do Lótus e Lugares Sagrados do Budismo. Acompanhe os posts relacionados para absorver a riqueza literária dessa história. Mas também, para além do sentido literário, absorver dessa história os ensinamentos daquele que se revelaria o Buda, Honrado pelo Mundo, numa linguagem coloquial, porém, sem perda dos profundos significados ali contidos.

Esforçar-se para compreender: Não há Budismo sem . Não há Budismo sem estudo (conhecimento) da experiência Búdica. Não há Budismo sem prática (percepção) dessa experiência dentro de nossas vidas.

Tenha um ótimo fim de semana!

Marcos Ubirajara.

A Aflição de Suddhodana e Mahaprajapati

O rei Suddhodana ouviu a lamentação. Perguntou a razão. A criada foi indagar e voltou com a seguinte resposta:

“Meu senhor, o príncipe não se encontra em nenhum lugar do palácio.”

“Fechem os portões da cidade”, gritou o rei, “e procurem por meu filho nas ruas, nos jardins, nas casas.”

Ele foi obedecido, mas o príncipe não se encontrava em lugar algum. O rei desmoronou.

“Meu filho, meu único filho!”, ele soluçava, e desmaiou. Logo se recobrou, e ordenou:

“Que sejam despachados cavaleiros em todas as direções, e que tragam-me de volta meu filho!”

Nesse ínterim, Chandaka e o cavalo Kanthaka estavam retornando lentamente do eremitério. Quando se aproximaram da cidade, ambos baixaram a cabeça em desalento. Alguns cavaleiros avistaram-nos.

“É Chandaka! É Kanthaka!”, eles gritaram, e galoparam seus cavalos. Eles viram que Chandaka estava carregando as jóias do príncipe. Então indagaram, ansiosamente:

“O príncipe foi assassinado?”

“Não, não”, respondeu Chandaka rapidamente. “Ele confiou-me as suas jóias para que eu pudesse devolvê-las à sua família. Ele vestiu um robe de eremita, e entrou na floresta onde residem alguns homens sagrados.”

“Você pensa”, disse o cavaleiro, “que se fôssemos a ele, o persuadiríamos a retornar conosco?”

“Suas palavras serão fúteis. Ele está obstinado. Ele disse: ‘Não retornarei a Kapilavastu até que tenha conquistado a velhice e a morte’. E o que ele disse, ele o fará.”

Chandaka acompanhou os cavaleiros até o palácio. O rei o chamou imediatamente.

“Meu filho! Meu filho! Para onde ele foi, Chandaka?”

O escudeiro disse-lhe o que o príncipe havia feito. O rei entristeceu, contudo ele não poderia deixar de admirar a grandeza do seu filho.

Gopa e Mahaprajapati entraram; elas tinham ouvido sobre o retorno de Chandaka. Elas indagaram-lhe e souberam da decisão soberana de Siddhartha.

“Oh você que foi minha alegria”, disse Gopa entre lágrimas, “você cuja voz era tão doce, você que possuia tanta força e graça, tanto conhecimento e tantas virtudes! Quando você me falava, pensava estar ouvindo alguma canção de amor, e quando me reclinava sobre você, inalava a fragrância de todas as flores. Agora estou tão longe de você, e choro. O que será de mim, agora, uma vez que ele se foi, ele que era meu guia? Conhecerei a pobreza, por ter perdido meu tesouro. Ele era meus olhos; não posso mais ver a luz; estou cega. Oh, quando ele retornará, ele que era a minha alegria?”

Mahaprajapati viu as jóias que Chandaka havia trazido de volta com ele. Ficou olhando para elas um longo tempo. Pôs-se a chorar. Então, pegando as jóias, deixou o palácio.

Ainda a chorar, ela caminhou pelos jardins até chegar a uma fonte. Novamente, ela olhou para as jóias, e em seguida jogou-as na água.

Kanthaka retornou aos estábulos. Os outros cavalos ficaram felizes com o seu retorno e relincharam de uma maneira amigável. Mas ele não os ouviu; ele não os viu. Estava muito triste. Relinchou angustiado por uma ou duas vezes e, de repente, caiu morto.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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