A Aflição de Suddhodana e Mahaprajapati

O rei Suddhodana ouviu a lamentação. Perguntou a razão. A criada foi indagar e voltou com a seguinte resposta:

“Meu senhor, o príncipe não se encontra em nenhum lugar do palácio.”

“Fechem os portões da cidade”, gritou o rei, “e procurem por meu filho nas ruas, nos jardins, nas casas.”

Ele foi obedecido, mas o príncipe não se encontrava em lugar algum. O rei desmoronou.

“Meu filho, meu único filho!”, ele soluçava, e desmaiou. Logo se recobrou, e ordenou:

“Que sejam despachados cavaleiros em todas as direções, e que tragam-me de volta meu filho!”

Nesse ínterim, Chandaka e o cavalo Kanthaka estavam retornando lentamente do eremitério. Quando se aproximaram da cidade, ambos baixaram a cabeça em desalento. Alguns cavaleiros avistaram-nos.

“É Chandaka! É Kanthaka!”, eles gritaram, e galoparam seus cavalos. Eles viram que Chandaka estava carregando as jóias do príncipe. Então indagaram, ansiosamente:

“O príncipe foi assassinado?”

“Não, não”, respondeu Chandaka rapidamente. “Ele confiou-me as suas jóias para que eu pudesse devolvê-las à sua família. Ele vestiu um robe de eremita, e entrou na floresta onde residem alguns homens sagrados.”

“Você pensa”, disse o cavaleiro, “que se fôssemos a ele, o persuadiríamos a retornar conosco?”

“Suas palavras serão fúteis. Ele está obstinado. Ele disse: ‘Não retornarei a Kapilavastu até que tenha conquistado a velhice e a morte’. E o que ele disse, ele o fará.”

Chandaka acompanhou os cavaleiros até o palácio. O rei o chamou imediatamente.

“Meu filho! Meu filho! Para onde ele foi, Chandaka?”

O escudeiro disse-lhe o que o príncipe havia feito. O rei entristeceu, contudo ele não poderia deixar de admirar a grandeza do seu filho.

Gopa e Mahaprajapati entraram; elas tinham ouvido sobre o retorno de Chandaka. Elas indagaram-lhe e souberam da decisão soberana de Siddhartha.

“Oh você que foi minha alegria”, disse Gopa entre lágrimas, “você cuja voz era tão doce, você que possuia tanta força e graça, tanto conhecimento e tantas virtudes! Quando você me falava, pensava estar ouvindo alguma canção de amor, e quando me reclinava sobre você, inalava a fragrância de todas as flores. Agora estou tão longe de você, e choro. O que será de mim, agora, uma vez que ele se foi, ele que era meu guia? Conhecerei a pobreza, por ter perdido meu tesouro. Ele era meus olhos; não posso mais ver a luz; estou cega. Oh, quando ele retornará, ele que era a minha alegria?”

Mahaprajapati viu as jóias que Chandaka havia trazido de volta com ele. Ficou olhando para elas um longo tempo. Pôs-se a chorar. Então, pegando as jóias, deixou o palácio.

Ainda a chorar, ela caminhou pelos jardins até chegar a uma fonte. Novamente, ela olhou para as jóias, e em seguida jogou-as na água.

Kanthaka retornou aos estábulos. Os outros cavalos ficaram felizes com o seu retorno e relincharam de uma maneira amigável. Mas ele não os ouviu; ele não os viu. Estava muito triste. Relinchou angustiado por uma ou duas vezes e, de repente, caiu morto.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

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