Oferecimento de Incenso

1.    Incenso. O mais fino e caro incenso deve ser oferecido para o Buda. Se você fosse comprar incenso velho que o lojista estava para descartar e o adquiriu como um oferecimento para o Buda, o seu coração estaria carente de sinceridade. Por outro lado, se você oferecesse Gosirsa-Cândana, incenso “Sândalo Cabeça-de-Boi”, sua doação, envolvendo um considerável sacrifício de sua parte, seria considerada sincera. O incenso “Cabeça-de-Boi” é frequentemente mencionado nos ensinamentos do Buda. O Sutra Sarangama explica que esse incenso era tão fragrante que podia ser sentido dentro de um raio de treze milhas quando estava sendo queimado na cidade de Sravasti durante as assembleias do Buda. No Sutra do Bodhisattva Provedor da Terra (Earth Store Bodhisattva Sutra) a mulher Brâmane vendeu sua casa e sacrificou sua fortuna no sentido de fazer um grande oferecimento para o Tathagata Rei do Samadhi Auto-Existente da Flor da Iluminação. Sua sinceridade era tão grande que ela vendeu o próprio topo de sua cabeça (escalpo) no sentido de fazer os melhores oferecimentos para o Buda.

A retribuição pelo oferecimento de incenso ao Buda é que no futuro o seu corpo será fragrante. Uma essência rara constantemente exalará da boca do Buda Shakyamuni e de cada poro do seu corpo. O corpo de uma pessoa comum tem um odor tão desagradável que pode ser sentido a milhas. Se você não acredita nisso, apenas considere que um cão policial é capaz de rastrear o cheiro de um humano a uma distância de três a cinco milhas. Todavia, se você faz oferecimentos de incenso ao Buda com a esperança de obter um corpo fragrante, então você perdeu o ponto. Você não deve procurá-lo. Quando o seu mérito e virtude forem suficientes, seu corpo tornar-se-á fragrante naturalmente. Os deuses, por exemplo, têm corpos fragrantes porque fizeram oferecimentos de incenso para o Buda nas vidas anteriores. Até que seus méritos e virtudes sejam suficientes, você continuará a ter um corpo mal-cheiroso comum não importa o quanto você se esforce para atingir um odor fragrante.

Sutra Diamante – Capítulo 15 – O Mérito e a Virtude da Ostentação do Sutra.

Original

O Tempo e o Lugar

Naquela ocasião refere-se ao tempo quando o Buda encontrava-se hospedado em Sravasti. Sravasti, o nome da cidade capital que abrigava o Rei Prasenajit, traduz-se como “Virtude Florescente”. “Florescente” refere-se aos Cinco Desejos: formas, sons, fragrâncias, sabores e objetos tangíveis; e também à riqueza que abundava no país. “Virtude” refere-se à conduta dos cidadãos, os quais eram bem educados e livres de vergonhas.

O Parque de Jeta pertencia ao filho do Rei Prasenajit, o Príncipe Jeta, cujo nome, “vencedor (Victor) da guerra”, foi-lhe dado em comemoração à vitória do Rei Prasenajit numa guerra com um país vizinho que transcorreu no dia do nascimento do seu filho.

Parque de Jeta

Vista Geral do Parque de Jeta

O Benfeitor dos Órfãos e Solitários refere-se a um filantropo Indiano da época que era muito parecido com o Rei Wen da Dinastia Chou na China. O principal objetivo do Rei Wen era beneficiar viúvos, viúvas, órfãos e solitários, significando idosos, casais sem filhos, etc. O seu reinado foi benevolente e humano, e objetivava unicamente o bem do país. O benfeitor mencionado aqui no sutra foi um idoso chamado Sudatta, “bom benfeitor”, um dos grandes ministros do Rei Prasenajit.

O Jardim de flores pertencia ao Príncipe Jeta até que Sudatta o adquiriu pelo preço exorbitante de uma polegada quadrada de ouro para cada polegada quadrada de chão. O Velho Sudatta fez a compra após o seu convite ao Buda para vir a Sravasti pregar o dharma. A seguir, os eventos que resultaram nessa compra do jardim.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

O Prefácio do Sutra Diamante

Assim eu ouvi.

Certo dia,  o Buda estava hospedado no Parque de Jeta, no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários, juntamente com uma congregação de grandes monges, mil duzentos e cinquenta ao todo.

Naquela ocasião, na hora do desjejum, o Honrado pelo Mundo vestiu o seu robe, pegou sua tigela de donativos, e adentrou a grande cidade de Sravasti para esmolar por comida. Após encerrar a sua mendicância rotineira dentro da cidade, ele retornou, alimentou-se, retirou o seu robe e a sua tigela, lavou seus pés, arrumou seu assento, e sentou-se.

Comentário:

Assim eu ouvi. Essas palavras constituem o primeiro dos Seis Requisitos. É essencial que todos que prelecionam ou lêm sutras estejam familiarizados com os Seis Requisitos, os quais são: fé, a audição, o tempo, o hospedeiro (o anfitrião), o lugar e a audiência.

  1. Assim é o requisito da fé,
  2. Eu ouvi é o requisito da audição,
  3. Naquela ocasião é o requisito do tempo,
  4. O Buda é o requisito do hospedeiro,
  5. Em Sravasti, no Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários é o requisito do lugar,
  6. Juntamente com uma congregação de grandes monges, mil duzentos e cinquenta ao todo é o requisito da audiência.

Os seis requisitos provam que um sutra foi pregado pelo Buda. Uma vez que esses requisitos iniciam cada sutra, eles são chamados “Prefácio Comum”. O texto que imediatamente segue-lhes varia de acordo com o sutra, e assim é chamado “Prefácio Específico”. Neste sutra, o Prefácio Específico é:

“Naquela ocasião, na hora do desjejum, o Honrado pelo Mundo vestiu o seu robe, pegou sua tigela de donativos, e adentrou a grande cidade de Sravasti para esmolar por comida. Após encerrar a sua mendicância rotineira dentro da cidade, ele retornou, alimentou-se, retirou o seu robe e a sua tigela, lavou seus pés, arrumou seu assento, e sentou-se.”

O Prefácio Comum também é chamado tanto de “Prólogo” como de “Pós-Escrito”. Ao se prelecionar sutras, pode-se discutir essa seção tanto como uma introdução ao sutra, mas também como um pós-escrito apendido numa data posterior.

“Pode um prefácio realmente ser chamado de um Prólogo ou um Pós-Escrito?”, você poderia indagar.

Não há nada fixo sobre isso. O que quer que seja fixo (imutável) não é Budadharma. O Sutra Diamante torna claro o princípío dos dharmas não imutáveis. Quando algo é fixado, o apego resultante causa uma obstrução que, por sua vez, conduz à aflição. Quando não há apego, o vazio é sem aflição. Quando tudo é vazio, a quê se poderia estar apegado?  O que, então, não pode ser descartado? Quando se está completamente vazio de si, que aflição poderia haver? A aflição surge quando o ponto de vista de alguém não está vazio de si. As coisas não são assumidas como completamente destroçadas e descartadas. Por conseguinte…

Onde quer que você vá, você está preso por espinhos.

Onde quer que você vá, você colide com paredes.

Em todo o lugar que você vá, você caminha entre paredes ou está armadilhado num espinheiro, e é doloroso. Você sente dor porque você não descartou o seu corpo. Se você absolutamente não possui um eu, nem outros, nem seres viventes, nem vida – nada afinal – que dor pode haver? Quem tem dor? Quando não há sequer uma pessoa que sinta dor, que aflição pode haver? De onde a aflição viria? Isto é fácil de falar, mas difícil de fazer.

Os seis requisitos são chamados de Pós-Escrito porque eles não eram parte do sutra original. O Buda não disse “Assim eu ouvi…”. Aquele texto foi adicionado posteriormente pelo Venerável Ananda quando a divisão dos sutras foi compilada. O Pós-Escrito também é chamado Prólogo. Portanto, os seis requisitos podem ser chamados de Prefácio, Prólogo e Pós-Escrito.

O Buda instruiu que todos os sutras que ele pregou deveriam começar com as quatro palavras “Assim eu ouvi…”. Aqueles que estudam os sutras Budistas devem saber a história dessas quatro palavras.

Sutra Diamante – Capítulo 1 – As Razões para a Assembleia do Dharma.

Original

Os Lugares Sagrados de Pregação do Prajna pelo Buda

Uma investigação do dharma deve levar em consideração os locais nos quais o Buda pregou o dharma e o número de fiéis em assembleia que receberam os ensinamentos. O ensinamento do prajna foi pregado em Quatro Lugares e em Dezesseis Assembleias:

  1. Sete assembleias foram realizadas no Pico Vulture (Monte Gridhrakuta), também chamada Montanha Vulture Eficaz, próxima à cidade do Palácio dos Reis (em Rajagriha, onde o Sutra de Lótus foi pregado).
  2. Sete assembleias foram realizadas na cidade de Sravasti no Parque de Jeta no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários. Lá é onde o Sutra Vajra foi pregado.
  3. Uma assembleia foi realizada no Palácio do Tesouro de Jóias Preciosas (Mani Jewel) da Bem-Aventurança do Céu das Transformações dos Outros.
  4. Uma assembleia foi realizada ao lado do Lago da Garça Branca Real no Bosque dos Bambús, próximo ao Palácio dos Reis.
Parque de Jeta

Vista Geral do Parque de Jeta

O Sutra Diamante (Vajra Prajna Paramita) foi pregado na terceira assembleia realizada no segundo local, o Parque de Jeta. Assim o sutra começa: “Assim eu ouvi na ocasião em que o Buda estava hospedado em Sravasti, no Parque de Jeta, no Jardim do Benfeitor dos Órfãos e Solitários.”

Dos Três Tipos de Prajna – o literário, o contemplativo e o da marca real – o prajna literário surge do estudo dos sutras, mas uma verdadeira compreensão da literatura surge somente através do prajna contemplativo. A sabedoria contemplativa, plenamente desenvolvida, penetra o objetivo final; ou seja, o prajna da marca real. Se o prajna não se manifesta, é simplesmente uma indicação de que a sabedoria básica inerente a todas as pessoas não atingiu a fruição. A sabedoria que representa o prajna da marca real surge somente quando nutrida pelas águas do prajna literário e do contemplativo.

Original

Os Novos Discípulos

O Mestre permaneceu em Cravasti por algum tempo; então, deixou a cidade para retornar à Rajagriha, onde o Rei Bimbisara o aguardava. Ele havia parado para descansar numa aldeia ao meio do caminho, quando viu sete homens aproximando-se. Ele os reconheceu. Seis eram parentes, e estavam entre os mais ricos e mais poderosos dos Shakyas. Seus nomes eram Aniruddha, Bhadrika, Bhrigu, Kimbala, Devadatta e Ananda. O sétimo era um barbeiro chamado Upali.

Aniruddha, um dia havia dito para si que era uma desgraça que nenhum dos Shakyas tivesse se prontificado a seguir o Buda. Ele decidiu dar um bom exemplo, e como não havia nenhuma razão para esconder a sua intenção, ele a revelou primeiro para Bhadrika, que era o seu melhor amigo. Bhadrika aprovou a sua decisão, e depois de pensar um pouco, decidiu fazer o mesmo. Então, esses dois conquistaram Ananda, Bhrigu, Kimbala e Devadatta; por convencê-los de que não havia uma vocação mais elevada que aquela de um monge.

Os seis príncipes, então, partiram para juntar-se ao Buda. Eles mal tinham deixado Kapilavastu quando Ananda, olhando para Bhadrika, exclamou:

“Como agora, Bhadrika, você levaria uma vida de santidade, e manteria todos as suas jóias?”

Bhadrika enrubesceu; mas então viu que Ananda também estava usando suas jóias, e respondeu sorridente:

“Olhe para si, Ananda.”

E agora foi Ananda que enrubesceu.

Após o que todos se entreolharam, e perceberam que todos ainda estavam usando as suas jóias. Isso lhes fez sentirem-se envergonhados; baixaram seus olhares, e seguiram caminhando em silêncio ao longo da estrada quando encontraram o barbeiro Upali.

“Barbeiro”, disse Ananda, “Tome minhas jóias, dou-lhes a você!”

“E tome as minhas!”, disse Bhadrika.

Os outros também entregaram as suas jóias a Upali. Ele ficou à procura de uma explicação. Por que aqueles príncipes, que nunca o haviam visto antes, deveriam dar-lhe tais presentes? Ele deveria aceitá-los? Deveria recusá-los?

Aniruddha compreendeu a hesitação do Barbeiro. Então disse-lhe:

“Não tenha receio de aceitar essas jóias. Estamos a caminho para juntarmo-nos ao grande eremita que nasceu para os Shakyas, estamos a caminho para juntarmo-nos a Siddhartha, que tornou-se o Buda. Ele nos instruirá na sabedoria, e nos submeteremos à sua lei.”

“Príncipes”, indagou o barbeiro, “vocês se tornarão monges?”

“Sim”, eles responderam.

Ele então pegou as jóias e partiu para a cidade. Mas, subitamente, ele pensou: “Estou agindo como um tolo. Quem acreditaria que os príncipes jogaram essas riquezas sobre mim? Eu serei tomado por um ladrão, ou talvez por um assassino. O mínimo que pode me acontecer é incorrer no profundo desagrado dos Shakyas. Não devo ficar com as jóias”. Ele pendurou-as numa árvore que ficava à beira da estrada. E pensou: “Aqueles príncipes estão dando um nobre exemplo. Eles tiveram a coragem de deixar seus palácios; a mim, que nada sou, faltaria coragem de deixar o meu negócio? Não! Eu os seguirei. Eu, também, irei ao Buda, ele deverá aceitar-me na comunidade!”

Ele seguiu os príncipes à distância. Ele estava tímido quanto a juntar-se a eles. Porém, aconteceu que Bhadrika voltou-se para trás. Ele viu Upali, e lhe chamou.

“Barbeiro, por que você jogou fora as nossas jóias?”, ele perguntou.

“Eu, também, quero tornar-me um monge”, respondeu o barbeiro.

“Então siga-nos”, disse Bhadrika.

Mas Upali ainda ficou para trás. Aniruddha disse-lhe:

“Caminhe ao nosso lado, barbeiro. Monges não fazem distinções, exceto para a idade e para a virtude. Quando estivermos diante do Buda, você deve ser o primeiro a dirigir-se a ele, bem como o primeiro a indagar-lhe quanto a recebê-lo na comunidade. Por condescender a você, os príncipes demonstrarão que deixaram de lado o seu orgulho de Shakya.”

Continuaram em seu caminho. De repente, um falcão desceu sobre a cabeça de Devadatta e arrancou um diamante que ele estava usando em seu cabelo. Isso expôs a sua vaidade, e fez com que os príncipes rissem. Devadatta, agora, não tinha mais uma única jóia, mas seus companheiros, em seus corações, ainda questionavam a sinceridade de sua fé.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

A Menina de Cravasti

Naquela ocasião, lá em Cravasti vivia uma jovem menina que era extremamente pobre. Ela tinha levado três meses para economizar dinheiro suficiente para comprar um pedaço de tecido grosseiro, do qual ela havia acabado de fazer um vestido para si. Ela viu Anathapindika cercado por uma grande multidão.

“O mercador Anathapindika parece estar esmolando”, ela disse à uma pessoa presente.

“Sim, ele está esmolando”, foi a resposta.

“Mas se diz que ele é o homem mais rico em Cravasti. Por que ele estaria esmolando?”

“Você não ouviu a proclamação real sendo apregoada através das ruas, sete dias atrás?”

“Não!”

“Anathapindika não está coletando esmolas para si. Ele deseja que cada um participe do bem que ele está fazendo, e está pedindo por donativos para o Buda e seus discípulos. Todos aqueles que doarem adquirirão direito a uma retribuição futura.”

A jovem menina disse para si: “Nunca fiz nada digno de louvor. Seria maravilhoso fazer um oferecimento ao Buda. Mas sou pobre. O que tenho eu para dar?” Ela afastou-se, melancolicamente. Olhou para o seu novo vestido. “Tenho apenas esse vestido para oferecer-lhe. Mas não posso seguir nua através das ruas.”

Ela foi para casa e tirou o vestido. Então, pôs-se à janela e observou Anathapindika. Quando ele passou em frente à sua casa, ela jogou o vestido para ele. Ele o pegou e mostrou-lhe para seus servos.

“A mulher que jogou esse vestido para mim”, disse ele, “provavelmente nada mais tem a oferecer. Ela deve estar nua, se tem que ficar em casa e dar esmolas dessa maneira estranha. Vá! Tentem encontrá-la e vejam quem ela é.”

Os servos tiveram alguma dificuldade para encontrar a jovem menina. Finalmente viram-na, e constataram que seu mestre havia sido correto em sua suposição: o vestido que lhe fora atirado pela janela era toda a fortuna da menina pobre. Anathapindika ficou profundamente comovido; ordenou a seus servos trazerem muitas roupas bonitas e caras, e deu-as a essa donzela piedosa que havia oferecido seu único vestido.

Ela morreu no dia seguinte e renasceu como uma Deusa no céu de Indra. Mas ela nunca esqueceu como ela tinha vindo a merecer tal recompensa e, certa noite, ela desceu à terra e foi ao Buda, e ele instruiu-lhe na lei sagrada.

A vida do Buda, tr. para o francês por A. Ferdinand Herold [1922], tr. para o inglês por Paul C. Blum [1927], rev. por Bruno Hare [2007], tr. para português brasileiro por Marcos U. C. Camargo [2011].

Fonte: Sacred-Texts em http://www.sacred-texts.com/bud/lob/index.htm

Sankassa

A fama de Sankassa se origina de declarações e afirmações registradas em antigos comentários do Tipitaka. (Sânskrito: Tripiṭaka – literalmente significando ‘três cestos’).

Os ‘três cestos’ são como segue:

  1. Vinaya Pitaka (‘Cesto da Disciplina Monástica’), tratando das regras monásticas para monges e monjas;
  2. Sutta Pitaka (‘Cesto dos Sutras/Provérbios), discursos e preleções atribuídos ao Buda, em sua maioria, mas também aos discípulos;
  3. Abhidhamma Pitaka, tratados abrangendo os campos da filosofia, psicologia, metafísica, etc.

Todavia, no Tipitaka em si, os eventos que supostamente teriam ocorrido em Sankassa não são mencionados no seu todo.

sankassa

Sankassa - outdoors.webshots.com

Foi em Sankassa que (de acordo com os comentátrios) o Buda retornou à terra após pregar o Abhidhamma Pitaka no Céu Trayastrimsa, cujo evento ocorreu após a realização do “Duplo Milagre” sob a árvore Gandamba.

Ao aproximar-se a ocasião de o Buda deixar o Céu Trayastrimsa, Maudgalyayana anunciou seu retorno para a multidão que esperava em Sravasti (Savatthi), sendo alimentados por Culla Anathapindika (que teria provido a multidão de comida por três meses enquanto esperavam em assembléia a descida do Buda do Céu Trayastrimsa, após a sua pregação do Abhidhamma Pitaka), enquanto Maudgalyayana expunha o Dharma. Eles então seguiram para Sankassa.

A descida do Buda aconteceu no dia do festival da Lua-Cheia (Mahapavarana). Sakra-Indra forneceu três escadas para a descida do Buda do (Monte) Sumeru (em cujo pico encontra-se o Céu Trayastrimsa) para a terra: à direita estava uma escada de ouro para os deuses; à esquerda uma escada de prata para Maha Brahma e seu séquito; e ao meio uma escada de jóias para o Buda. As pessoas em assembléia cobriam uma área de trinta léguas sobre a terra. Havia uma clara visão dos nove mundos de Brahma acima, e do inferno Avichi abaixo. O Buda estava acompanhado por Pañcasikha, Mátali, Mahá Brahmá and Suyáma. Shariputra foi o primeiro a dar-lhe boas vindas (seguido por Uppalavanna), e o Buda pregou a Lei, começando pelo que estava ao alcance da compreensão até mesmo de uma pessoa mundana, e terminando com aquilo que somente um Buda poderia compreender.

Naquela ocasião foi pregado o Parosahassa Játaka para proclamar à multidão a sabedoria incomparável de Shariputra. Foi dito também que a descida do Buda em Sankassa havia provido a oportunidade para Maudgalyayana demonstrar a sua eminência nos poderes sobrenaturais (iddhi), Anirudha no olho celestial (dibbacakkhu), e Purna na habilidade de pregação. O Buda desejava conceder a Shariputra uma chance de brilhar em sua sabedoria. Assim, ele indagou a Shariputra questões que ninguém poderia responder. As palavras de abertura do Sutra Shariputra supostamente se referem a essa ocasião.

O local do portão da cidade de Sankassa é um dos pontos ‘imutáveis’ do mundo (avijahitatthanam). Todos os Budas descem naquele ponto ao mundo dos humanos após pregarem o Abhidhamma. De Sankassa, o Buda foi para Jetavana.

Uma torre votiva foi erigida no ponto onde o pé direito do Buda tocou pela primeira vez o solo de Sankassa. Quando os pelegrinos chineses, Hiouen Thsang e Fa Hien, visitaram o lugar, eles encontraram três escadas, as quais haviam sido construídas de tijolos e pedras pelos ancestrais, para comemorar a descida do Buda, mas essas escadas estavam praticamente soterradas.

fonte: Wikipedia – A Enciclopédia livre – Sankassa

A História do Monastério de Jetavana

View on a section of Jetavana Monastery (in Sr...

Vista externa do Monastério de Jetavana, em Sravasti - India - Imagem via Wikipedia

“Então, Shariputra foi para Sravasti, cavalgando junto com Sudatta. Através do meu poder transcendental, eles chegaram ao seu destino em um dia. Então, Sudatta disse a Shariputra: ‘Oh Altamente Virtuoso! Afora deste portão, há um lugar bem adequado para a finalidade. Não é próximo e nem distante, onde há muitas nascentes e lagos, muitas florestas com flores e frutos; e o lugar é puro, quieto e amplo. Construirei Viharas [monastérios – locais de residência] lá para o Buda e seus Monges’. Shariputra disse: ‘A floresta do Príncipe Jeta não é próxima e nem distante. É pura e quieta. Há muitas nascentes e córregos. Há flores e frutos da estação. Esse é o melhor lugar. Construamos um Vihara lá’.

Então, ao ouvir isto, Sudatta foi ao grande homem rico, Jeta, e lhe disse: ‘Eu agora desejo construir um Vihara Budista e dedicá-lo a alguém insuperável no Dharma, em um lugar que lhe pertence. Agora desejo comprá-lo de você. Você o venderia para mim’? Jeta disse: ‘Não o venderei, mesmo que você cubra o chão com ouro’. Sudatta disse: ‘Bem falado! A floresta pertence a mim. Tome meu ouro’. Jeta disse: ‘Não estou vendendo a floresta para você. Como posso pegar o seu ouro’? Sudatta disse: ‘Se você não estiver satisfeito, irei ao magistrado’. E ambos foram juntos ao magistrado. O magistrado disse: ‘A floresta pertence a Sudatta. Jeta deve pegar o ouro’. Sudatta imediatamente enviou homens com cargas de ouro sobre carroças e cavalos. Quando chegaram, ele cobriu o chão com ouro. Em um único dia viu-se uma área de 500 ‘bu’ [unidade de medida de terra Chinesa, em torno de 6 ou 6.4 pés] coberta; e ainda não estava tudo coberto. Jeta disse: ‘Oh homem rico! Se você tem algum arrependimento dentro de você, está completamente livre para cancelar o negócio’. Sudatta disse: ‘Não sinto qualquer arrependimento’. Ele pensou para si qual dos depósitos ele abriria agora para obter ouro para a área ainda deixada sem cobertura. Jeta pensou para si: ‘O Tathagata, Rei do Dharma, é realmente alguém insuperável. As coisas maravilhosas que ele ensina são puras e imaculadas. Esse é o porquê esse homem pensa assim tão despreocupadamente sobre este tesouro’. Ele então disse a Sudatta: ‘Não necessito agora de qualquer ouro para o que permanece descoberto. Por favor, pegue-o. Eu mesmo construirei um portão para o Tathagata, tal que ele possa entrar e sair dele’. Jeta construiu o portão e, em sete dias, Sudatta construiu um grande Vihara numa área de 300 ‘ken’ [o ‘ken’ mede cerca de 6 pés] na largura e no comprimento. Havia quartos para meditação silenciosa em número de 63. Os aposentos eram diferentes para o inverno e para o verão. Havia cozinhas, banheiros, e um lugar para lavar os pés. Havia dois tipos de lavatórios.

Concluídas as construções, ele (Sudatta) pegou um incensório e, apontando na direção de Rajagriha, disse: ‘As obras estão completas agora. Oh Tathagata! Por favor, tenha piedade e ocupe este lugar, e fique (viva) aqui para o bem dos seres’. Tão logo li o pensamento desse homem rico à distância, parti de Rajagriha. No curto espaço de tempo que leva um homem forte e jovem para dobrar e estender seu braço, viajei para Sravasti, para Jetavana, e tomei posse do Monastério de Jetavana. Quando cheguei ao local, Sudatta o dedicou-me. Eu então o recebi e o habitei.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 36, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 4.

the jetavana vihara history.mp3

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