A Meditação Minuciosa

“Ao meditar-se sobre o grosseiro, medita-se em seguida sobre as partes em detalhes. Como meditamos?

O Bodhisattva Mahasattva medita sobre todas as coisas, tanto dentro como fora, até a existência das partículas. O que quer que possa surgir no futuro será não-eterno. Por quê? Porque todas as coisas são perfeitas na forma de desintegração [isto é, completamente sujeitas à dissolução]. Se as coisas não fossem não-eternas no futuro, não poderíamos dizer que há diferenças nos dez tipos (estágios) da forma física. Quais são as dez? No momento, elas são: 1) membrana, 2) (tecido) esponjoso (espumoso), 3) pústula (pox), 4) bola de carne, 5) membros, 6) criança pequena, 7) criança, 8 ) jovem, 9) auge da vida, 10) velho decrépito. O Bodhisattva medita: ‘Se a membrana não fosse não-eterna, ela não poderia tornar-se (tecido) esponjoso. E se o auge da vida não fosse não-eterno, a velhice nunca chegaria. Se o tempo não fosse fugaz, momento após momento, ele nunca poderia durar muito. Tudo teria que crescer ao mesmo tempo e ser pleno no tamanho. Por isso, deve-se saber definitivamente que há existências de minúsculas partículas não-eternas, as quais têm que seguir existindo continuamente [isto é, mudando de momento a momento]. Também, vemos uma pessoa com todos os seus sentidos orgânicos perfeitos, e de uma fisionomia brilhante e resplandecente, [apenas para] tudo isto desaparecer (ser consumido) num estado debilitado’.

Também, ele pensa: ‘Existe o não-eterno com essa pessoa [isto é, o que é impermanente] sucedendo-se momento após momento’. Também, ele medita sobre os quatro grandes elementos e as quatro condutas. Também, ele medita sobre a causa do sofrimento, a fome, a sede, o frio e o calor que existem dentro e fora. Também, ele medita: ‘Se essas quatro coisas não fossem não-eternas, (sucedendo-se) momento após momento, não poderíamos falar desses quatro sofrimentos’.

Se o Bodhisattva medita bem assim, chamamos isto de meditação minuciosa (refinada) do Bodhisattva sobre o não-eterno.”

Leia Mais no Sutra do Nirvana, Capítulo 44 – Sobre o Bodhisattva Kashyapa 5.

the minute meditation.mp3

A Ascensão do Tolo

Quando o tolo começa a subir na vida, o primeiro peso que ele deixa para trás é a idéia de igualdade.

Em 11/05/2010
13:00 hs.

Nota: mais tarde, ele lembrará da impermanência de todas as coisas. Será tarde demais para se remir.

Lua de Outono

“Empenhe-se no desenvolvimento da fé até o último dia da sua vida. Caso contrário, arrepender-se-á. Por exemplo, a viagem de Kamakura a Quioto leva doze dias. Se viajar durante onze dias e parar antes de completar o décimo-segundo dia, como poderá admirar a lua da linda capital? Em qualquer circunstância, aproxime-se do sacerdote que conhece a essência do Sutra de Lótus, continue aprendendo dele a verdade do Budismo e prossiga a sua viagem de fé.

Como passam depressa os dias! Isso nos faz perceber como são curtos os anos que deixamos. Os amigos admiram as flores de cerejeira nas manhãs de primavera e então partem, levados como as flores pelos ventos da impermanência, nada deixando senão os nomes. Embora as flores tenham sido dispersadas, as cerejeiras florescerão outra vez com a chegada da primavera, mas quando renascerão aquelas pessoas? Os companheiros com quem compusemos poemas admirando a lua, nas noites de outono, desapareceram com a lua atrás das nuvens passageiras. Somente suas imagens mudas continuam em nossos corações. A lua se pôs atrás das montanhas do ocidente, mas nós iremos compor poemas sob a mesma no próximo outono. Mas onde estão os nossos companheiros que faleceram? Mesmo quando o Tigre da Morte ruge próximo a nós, não o ouvimos. Quantos dias restam ainda ao cordeiro destinado ao sacrifício?”

Nitiren Daishonin em Carta a Niike, em 1280.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. IV.

Impermanência

“Sempre, desde minha infância, tenho estudado com um pensamento em mente. A vida de um ser humano é pateticamente fugaz. O homem dá seu último suspiro sem esperança de encontrar uma outra existência. Nem mesmo o orvalho levado pelo vento basta para descrever essa transitoriedade. Ninguém, sábio ou tolo, jovem ou idoso, pode escapar da morte. O meu único desejo, portanto, tem sido a resolução deste mistério eterno. De resto, tudo é secundário.”

Nitiren Daishonin: Resposta a Myoho-Ama, em 1278.
As Escrituras de Nitiren Daishonin

A Via do Bodhisattva

Todos esses ensinamentos são para promover a conversão de Bodhisattvas. Todavia, Shariputra, farei agora uso de uma parábola com o intuito de esclarecer o princípio, para que todos aqueles que são sábios adquiram compreensão através da parábola”.

 “Shariputra, suponha que num país, numa cidade, ou num vilarejo, exista um homem já avançado na idade e muito rico, de ilimitados bens e fortuna, possuindo muitas terras, casas e empregados”.

 “Sua casa é ampla e espaçosa, tendo somente uma porta, mas repleta de muitas pessoas, talvez cem, duzentas ou quinhentas delas habitando ali”.

 “Seus salões e quartos estão ruindo de velhos; suas paredes estão cedendo. Os pilares estão podres em suas bases; as vigas e travessas estão caindo perigosamente”.

 “Subitamente, através da casa, um fogo se irrompe, deixando a casa em chamas”.

 “Os filhos daquele velho homem, dez, vinte, talvez trinta deles estejam dentro da casa”.

 “O velho homem, vendo o fogo subir pelos quatro cantos, ficou alarmado e fez a seguinte reflexão: ‘Embora eu tenha sido ágil o bastante para escapar em segurança através desta porta em chamas, todos os meus filhos permanecem dentro da casa ardente, felizes e apegados aos seus brinquedos, distraídos, desconhecendo essa situação, não alarmados e sem medo. O fogo os encurralará e o tormento os afligirá, mas em suas mentes eles não pensam nisto e nem têm qualquer intenção de escapar’”.

 “Shariputra, o velho homem então refletiu: ‘Tenho corpo e braços fortes. Posso envolvê-los num pano, protegê-los num malote ou caixa e retirá-los da casa’. Ele refletiu ainda: ‘Esta casa possui somente uma porta estreita e pequena[1]. Meus filhos são jovens, imaturos e nada sabem ainda. Apegados ao seu lugar de diversão, eles podem cair e serem consumidos pelo fogo. Devo falar-lhes a respeito deste temeroso assunto, que a casa pegou fogo e eles devem apressar-se em sair para não serem queimados’. Pensando assim, ele falou aos seus filhos, dizendo: ‘Saiam, todos vocês, rapidamente’! Embora o pai, em sua compaixão, buscasse induzi-los com boas palavras, todos os filhos permaneciam ainda alegremente apegados aos seus brinquedos e jogos, e recusavam-se a compreendê-lo. Eles não estavam assustados ou temerosos e não tinham a mais leve intenção de deixar a casa. E o que é mais, eles não sabiam o que significava ‘fogo’, o que significava ‘casa’ ou o que significava ‘estar perdido’. Eles meramente corriam de um lado para outro no jogo, olhando para o seu pai”.

 


[1] Esta porta estreita é a via do Bodhisattva ou Veículo Único. A ´casa´ é o mundo tríplice (o mundo da matéria, do espírito e do desejo); o ´fogo´ tem seu análogo na impermanência de todos os fenômenos, que tudo parece consumir; ´estar perdido´ significa estar iludido com as muitas sensações deste mundo: posse, poder e prazeres em geral ligados aos sentidos. Veremos mais adiante que essa analogia também é perfeita se compreendermos ´casa´ como sendo nosso próprio corpo.  

Excerto do CAP. 03 – A Parábola (da Casa em Chamas), pág. 72.

O Cometa Passa: A Impermanência Como Uma Força Transformadora

Um Exemplo!

Nesta singela homenagem a Herbert Vianna, exemplo de força e capacidade de transformação de veneno em remédio. Isto é só o Sol penetrando a fresta de uma janela, e sendo projetado numa parede de madeira. Só isso!


Filmagem de Marcos Ubirajara. Local: Sítio da Dôra em 17/11/2007.

As Três Verdades – 1a. Parte

1ª parte

Talvez, nenhum princípio budista aponte mais diretamente para o Verdadeiro Ensino do que o SANTAI (san = três, tai = verdade ). Esse princípio incorpora as três grandes fases de pregações do Buda Sakyamuni, as quais deram origem a um sem número de seitas e crenças budistas. Porém, sob a estrita ótica da “ordem temporal de pregação”, este princípio estabelece unicamente o Grande Veículo, a saber: (1) transitoriedade ou impermanência de todas as coisas como a verdade parcial que deu origem aos ensinos Hinayana da primeira fase; (2) não-substancialidade ou vacuidade inerente a todas as coisas como a verdade parcial exposta nos ensinos Mahayana provisórios e, finalmente, o caminho-médio como a Verdade Última de todos os fenômenos, revelada nos ensinos Mahayana Verdadeiros ou o Sutra de Lótus.

O conceito dos 10(dez) estados de vida não existe dissociado da transitoriedade. Um estado (ou instância da vida), por sua vez, não tem substância e, por essa razão, um estado não pode ser auto-contido ou estanque. Então, se um estado não tem “fronteiras”, ele se assemelha a um caminho que não tem início e nem fim. E, por não ter início ou fim, este caminho contém todos os outros caminhos. A isto, no Budismo, chamamos possessão mútua; ou seja, um caminho contém todos os outros.

A vida, assim entendida, é um veículo de transição e não existe em outro aspecto. Isto significa que os 10(dez) estados e a possessão mútua não podem existir dissociados do fenômeno vida, um fenômeno transitório por excelência, regido pela Lei Mística.

O quê é a Lei Mística? Essa Lei é chamada mística apenas por revelar aspectos intangíveis pela razão humana. É a Lei da continuidade do universo, que o faz fluir. É a ligação entre o não-substancial e o substancial, revelada no caráter dual de todos os fenômenos. É a Lei da causa e efeito no seu profundo sentido: a causa é não-substancial (latência); o efeito é substancial quando manifesto (trânsito). A causa fundamental de nossas existências é única. Todavia, o estado de Buda é o único entre os demais que reflete a verdadeira e única causa da vida, a qual é insondável por não ter substância. O estado de Buda é o encontro do homem consigo mesmo em todas as outras pessoas. A única circunstância em que isso poderá acontecer é através da vida. O Buda Sakyamuni revela essa Lei extensivamente e sem obstáculos no Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosas.

As Três Verdades – 2a. Parte.

As Três Verdades – 3a. Parte.

%d blogueiros gostam disto: