As Três Verdades – 1a. Parte

1ª parte

Talvez, nenhum princípio budista aponte mais diretamente para o Verdadeiro Ensino do que o SANTAI (san = três, tai = verdade ). Esse princípio incorpora as três grandes fases de pregações do Buda Sakyamuni, as quais deram origem a um sem número de seitas e crenças budistas. Porém, sob a estrita ótica da “ordem temporal de pregação”, este princípio estabelece unicamente o Grande Veículo, a saber: (1) transitoriedade ou impermanência de todas as coisas como a verdade parcial que deu origem aos ensinos Hinayana da primeira fase; (2) não-substancialidade ou vacuidade inerente a todas as coisas como a verdade parcial exposta nos ensinos Mahayana provisórios e, finalmente, o caminho-médio como a Verdade Última de todos os fenômenos, revelada nos ensinos Mahayana Verdadeiros ou o Sutra de Lótus.

O conceito dos 10(dez) estados de vida não existe dissociado da transitoriedade. Um estado (ou instância da vida), por sua vez, não tem substância e, por essa razão, um estado não pode ser auto-contido ou estanque. Então, se um estado não tem “fronteiras”, ele se assemelha a um caminho que não tem início e nem fim. E, por não ter início ou fim, este caminho contém todos os outros caminhos. A isto, no Budismo, chamamos possessão mútua; ou seja, um caminho contém todos os outros.

A vida, assim entendida, é um veículo de transição e não existe em outro aspecto. Isto significa que os 10(dez) estados e a possessão mútua não podem existir dissociados do fenômeno vida, um fenômeno transitório por excelência, regido pela Lei Mística.

O quê é a Lei Mística? Essa Lei é chamada mística apenas por revelar aspectos intangíveis pela razão humana. É a Lei da continuidade do universo, que o faz fluir. É a ligação entre o não-substancial e o substancial, revelada no caráter dual de todos os fenômenos. É a Lei da causa e efeito no seu profundo sentido: a causa é não-substancial (latência); o efeito é substancial quando manifesto (trânsito). A causa fundamental de nossas existências é única. Todavia, o estado de Buda é o único entre os demais que reflete a verdadeira e única causa da vida, a qual é insondável por não ter substância. O estado de Buda é o encontro do homem consigo mesmo em todas as outras pessoas. A única circunstância em que isso poderá acontecer é através da vida. O Buda Sakyamuni revela essa Lei extensivamente e sem obstáculos no Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosas.

As Três Verdades – 2a. Parte.

As Três Verdades – 3a. Parte.

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