O Despertar para o Grande Veículo

Naquela ocasião, os sábios e longevos Subhuti, Mahakatyayana, Mahakashyapa, Mahamaudgalyayana[1], tendo ouvido do Buda uma Lei tal como eles nunca ouviram antes, a concessão da profecia do alcance do Anuttara-Samyak-Sambodhi de Shariputra, sentiram-na como sendo uma Lei muito rara. Eles levantaram-se dos seus assentos, saltaram de alegria, ajeitaram seus robes, descobriram seus ombros direitos, colocaram seus joelhos direitos no chão, em pensamento único juntaram as palmas das suas mãos, inclinaram-se respeitosamente, olharam fixamente a face do Honrado pelo Mundo e falaram ao Buda, dizendo:

 “Nós, que pertencemos à cúpula da Sangha e somos avançados na idade[2], dissemos a nós mesmos havermos já atingido o Nirvana, que não tínhamos mais nenhuma responsabilidade, e que não seguiríamos adiante para alcançar o Anuttara-Samyak-Sambodhi”.

 “O Honrado pelo Mundo, desde o passado, tem pregado a Lei exaustivamente. Sentados aqui por todo esse tempo, com nossos corpos cansados, estivemos meramente meditando sobre o vazio, sem forma e sem desejos; não nos deleitando nas Leis dos Bodhisattvas, nos seus Samadhis plenos de encanto, na sua ação de purificação das terras Búdicas, ou na sua ação de aprimoramento dos seres viventes”.


[1] Subhuti, Mahakatyayana, Mahakashyapa e Mahamaugdalyayana; também chamados discípulos maiores.

[2] No Capítulo 3 – A Parábola, o Buda tece uma analogia em torno de uma casa velha e arruinada, comparando-a ao Mundo Tríplice. A mesma analogia poderá ser feita com o nosso corpo físico, cujo destino é a velhice e a decrepitude. Por essa razão, esses discípulos maiores manifestam-se após a pregação daquele capítulo, confessando nunca terem pensado na carruagem do grande búfalo branco.

Extraído do CAP. 04: Fé e Compreensão

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