O Absoluto

“Oh bom homem! Sobre o absoluto, existem dois tipos. Um é o absoluto no adorno, e o outro é o absoluto ultimado (final). Um é o absoluto no sentido secular, e o outro é o absoluto no sentido supramundano. Por absoluto no adorno se entende os seis paramitas; o absoluto ultimado é o Veículo Único que os seres obtêm. O Veículo Único é a Natureza de Buda. Este é o porquê eu digo que todos os seres possuem a Natureza de Buda. Todos os seres possuem o Veículo Único. Como a ignorância encobre-lhes, eles não podem ver. Oh bom homem! No Uttarakuru, a fruição do Céu Trayastrimsa não pode ser vista pelos seres porque há o encobrimento [da ignorância]. É o mesmo com relação à Natureza de Buda. Os seres não podem vê-la em razão do encobrimento pelas impurezas.”

Sutra do Nirvana, Capítulo 33, sobre o Bodhisattva Rugido do Leão 1.

the absolute.mp3

Por muccamargo

Físico, Mestre em Tecnologia Nuclear USP/SP-Brasil, Consultor de Geoprocessamento, Estudioso do Budismo desde 1987.

2 comentários

  1. Caro Marcos,

    Muitos parabéns pelo blog, onde é realizado um excelente paralelismo entre budismo e as mais diversas teorias da física.

    Li com interesse vários posts, não só os referentes à Flor de Lótus da Lei Maravilhosa, bem como aqueles em que é feita uma analogia entre o Dharma e o Campo Cristalino e o Vácuo.

    Gostava de partilhar algumas dúvidas com a quais me debato há algum tempo: para mim, nem sempre fica claro que por exemplo a Clara Luz do Vazio Budista tibetano, ainda que nem todas as escolas budistas descrevam o Vazio como Clara Luz, pode ser comparada ao Parabrahman hinduista ou outras visões de Absoluto como o Ayn Sof da Cabala, onde percepções dicotómicas como Luz e Trevas são ultrapassadas para dar lugar a uma visão do Absoluto como Incondicionado e Indizível e Indefinível. Para si, o Campo Cristalino, esse Campo da Lei Perfeita é o Absoluto das diversas tradições espirituais e eventualmente o vazio do váculo? E estará além de dicotomias como luz e trevas ou poderá ser descrito mais apropriadamente como luminoso tal como vem referido na tradição tibetana?

    Muito obrigado pela partilha e parabéns pelo blog mais uma vez

    Nuno

    1. Prezado Nuno,

      Devo adiantar que não tenho conhecimento de conceitos específicos do Budismo Tibetano como, por exemplo, a Clara Luz do Vazio. Mas, com base nos ensinamentos do Mahayana, será que “Clara Luz” não poderia assumir um significado de “Límpida Luz”, ou “Luz Imaculada”, ou quem sabe, “Pura Luz”? Por que pergunto? Porque a dicotomia Luz e Trevas pertence ao não-Eterno, assim como o vácuo interestelar, que por ser permeado pela radiação do Universo, não pode ser comparado com o Todo-Vazio do Budismo. O Campo Cristalino, um Cristal Perfeito, assim como o Todo-Vazio, transcende a natureza dual do universo ordinário, para um Universo Absoluto, Incondicionado, Indizível e Indefinível, conforme suas palavras. O Cristal Perfeito é inconcebível. Todavia, sem o entendimento do seu conceito mais fundamental, não se pode descrever nada neste universo ordinário que, para mim, é constituído de aberrações, distorções, impurezas, coisas fora do lugar. Isto me fascina, porque não falha na compreensão dos mais profundos significados dos ensinamentos do Mahayana. Por ser inconcebível, é um ‘não-é’. Porém, em virtude das relações causais que se estabelecem, então é um ‘é’. Eis o Caminho Médio. Como o meu conhecimento é limitado, agradeço-lhe as contribuições que possa oferecer neste espaço, assim como o fez neste breve comentário. Apareça sempre que lhe aprouver.

      Muito obrigado pela visita!

      Marcos Ubirajara.

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