A Tempestade

Prenunciada por raios e trovões (da RFB, e que eu não vou contar aqui), então veio a tempestade. Mal o ano de 2009 começara, houve mudanças no ministério para o qual eu trabalhava, e meu contrato de trabalho terminou em abril daquele ano. Eu tinha alguma reserva de dinheiro, e continuei o trabalho de tradução do Sutra do Nirvana. Em setembro daquele ano, precisamente em 03/09/2009, andava muito preocupado com minha situação: estava sem trabalho, vivendo às mínguas. Às 13:00 hs daquele dia, tocou o telefone. Era minha filha nas mãos de bandidos. Estava sozinho e, sob ameaças, não podia deixar o telefone celular. Caso contrário, matariam minha filha. De casa para o banco, do banco para outro banco, dirigindo com uma só mão, assim foi por horas a fio. Já havia feito as transferências (R$ 3.000,00), mas os bandidos não conseguiam sacar o dinheiro devido aos limites de saques impostos pelos caixas eletrônicos dos bancos. Mas culpavam a mim, xingavam, insultavam-me, prometiam matar minha filha. Estava tão transfigurado, em prantos, que a operadora do caixa do banco desconfiou e chamou a gerente. Com a voz embargada, expliquei-lhe o caso. Então ela disse: “Moço, isso é um golpe! O senhor não sabe? Qual é o número do telefone de sua casa?” Ela ligou, minha filha Fernanda atendeu e conversou comigo: “Pai, isso é golpe! Você não tem visto na televisão?”. “Filha, há anos que não assisto à televisão!”, respondi. Alegria por ter falado com minha filha. Bancarrota moral e financeira pela humilhação, e porque o restinho de dinheiro que eu tinha foi-se embora.

Em outubro de 2009, estava exatamente no meio do trabalho da tradução do Sutra do Nirvana, e ficava pronta a tão esperada segunda edição do Sutra de Lótus. Ou saía desesperado para acudir à situação de insolvência que se desenhava, ou largava tudo. Conversei com minha companheira e ela procurou me acalmar. “Quanto falta para terminar o trabalho, Marcos?”, ela perguntou. “Um ano”, respondi. “Tenha calma, faça o que você achar correto”, disse ela. Fiz o que eu achava correto: continuei o trabalho de tradução do Sutra do Nirvana. Nesse processo de isolamento, acreditem, tornei-me invisível para antigos colegas de trabalho, empresas para as quais trabalhei, e tantas outras pessoas, inclusive familiares, o que os levou a esquecerem de mim. Foi como se eu tivesse desencarnado, saído do mundo. Nenhum telefonema, nenhuma oportunidade de trabalho, nada. À “tempestade”, sucederam-se enchentes e desabamentos (de bens materiais – que eu também não vou contar aqui). E assim foi até o término do trabalho de tradução em outubro de 2010, o qual consumira dois anos de esforços ininterruptos.

Continua no próximo episódio semanal de:

A História da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

por Marcos Ubirajara de Carvalho e Camargo.

Episódios Anteriores:

O Fato Motivador da Tradução do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa

O Último Dia

O Avatar

Um Novo Original do Sutra de Lótus

O Lótus Azul

A correspondência com a BTTS

A Criação dos Blogs e os Primeiros Volumes do Sutra de Lótus

A Decisão por uma Autopublicação do Sutra de Lótus

A Nitiren Shoshu

Missiva a Mattuzalem Lopes Cançado

Missiva a William Garcia

Um Novo Trabalho

Uma Nova Edição do Sutra de Lótus

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