Nagarjuna e suas Escrituras

Nagarjuna

Estátua de Ouro de Nagarjuna no Monastério de Samye Ling – Imagem Via Wikipedia

Existe uma série de textos influentes atribuídos a Nagarjuna, mas como há muitas pseudoepígrafes atribuídas a ele, há controvérsias sobre quais são seus autênticos trabalhos. O único trabalho que todos os estudiosos concordam que é de Nagarjuna é o Mūlamadhyamakakārikā (Versos Fundamentais sobre o Caminho Médio), que contém a essência do seu pensamento em vinte e sete capítulos.

De acordo com o ponto de vista de Christian Lindtner, os trabalhos escritos por Nagarjuna são:

  • Mūlamadhyamaka-kārikā (Versos Fundamentais sobre o Caminho Médio)
  • Śūnyatāsaptati (Setenta Versos sobre a Vacuidade)
  • Vigrahavyāvartanī (O Fim das Controvérsias)
  • Vaidalyaprakaraṇa (Pulverização das Categorias)
  • Vyavahārasiddhi (Prova de Convenção)
  • Yuktiṣāṣṭika (Sessenta Versos sobre o Raciocínio)
  • Catuḥstava (Hino para a Realidade Absoluta)
  • Ratnāvalī (Guirlanda Preciosa)
  • Pratītyasamutpādahṝdayakārika (Constituintes do Surgimento Dependente)
  • Sūtrasamuccaya
  • Bodhicittavivaraṇa (Exposição da Mente Iluminada)
  • Suhṛllekha (Carta a um Bom Amigo)
  • Bodhisaṃbhāra (Requisitos da Iluminação)

Em adição aos citados acima, há muitos outros trabalhos atribuídos a Nagarjuna, e animadas controvérsias sobre quais são autênticos. Em particular, vários trabalhos importantes do Budismo esotérico (mais notavelmente o Pañcakrama ou “Cinco Estágios”) são atribuídos a Nagarjuna e seus discípulos. Pesquisas contemporâneas sugerem que esses trabalhos são datáveis de um período muito posterior na história Budista (fins do século 8 ou início do século 9), mas a tradição da qual eles fazem parte sustenta que eles são trabalho de Madhyamaka Nāgārjuna e sua escola. Historiadores tradicionais (por exemplo, o Tibetano Tāranātha do século 17), consciente das dificuldades cronológicas envolvidas, leva em conta esse anacronismo através de uma variedade de teorias, tais como a propagação de escritos posteriores via revelação mística.

Lindtner considera que o Māhaprajñāparamitopadeśa, um extenso comentário sobre o Grande Prajnaparamita, não seja um trabalho genuíno de Nagarjuna. Esse trabalho é somente atestado numa tradução Chinesa de Kumārajīva. Há muita discussão sobre se essa obra é de Nagarjuna, ou de outro alguém. Étienne Lamotte, que traduziu um terço do trabalho para o Francês, achava que fora o trabalho de um monge da escola Sarvāstivāda do Norte da Índia, e que mais tarde converteu-se para o Mahayana. O monge-erudito Chinês Yin Shun achava que fora o trabalho de um Sul Indiano, e que Nagarjuna muito possivelmente era o autor. De fato, essas duas visões não estão necessariamente em oposição, e o Sul Indiano Nagarjuna bem poderia ter estudado na escola Sarvāstivāda do Norte. Nenhum dos dois acha que foi composto por Kumarajiva, tal como sugerem outros.

[Fonte: Lindtner, C. (1982) Nagarjuniana – Via Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Nagarjuna%5D

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

Nagarjuna

Nagarjuna

Estátua de Ouro de Nagarjuna no Monastério de Samye Ling – Imagem Via Wikipedia

Nāgārjuna (Devanagari:नागार्जुन, Telugu: నాగార్జున, Tibetan: ཀླུ་སྒྲུབ་ klu sgrub, Chinese: 龍樹, Sinhalaනාගර්පුන), que viveu entre os anos de 150-250 da era cristã, foi um importante Mestre do Dharma e filósofo. Juntamente com seu discípulo Āryadeva, credita-se a ele a fundação da escola Madhyamaka do Budismo Mahāyāna. Credita-se também a Nagarjuna o desenvolvimento dos Sutras Prajñāpāramitā – e até, em algumas fontes, como (re) descobridor dessas escrituras no mundo, tendo-as resgatado do reino das nagas – e está também associado com a Universidade Budista de Nālandā.

Sabe-se muito pouco da vida de Nagarjuna, uma vez que os registros de sua existência foram escritos em Chinês e Tibetano, séculos após a sua morte. De acordo com alguns registros, Nagarjuna era natural do Sul da India. Alguns estudiosos acreditam que Nagarjuna foi um conselheiro de um rei da Dinastia de Sātavāhana. Evidências arqueológicas em Amarāvatī indicam que se isso for verdadeiro, o rei pode ter sido Yajña Śrī Śātakarni, que reinou entre 167 e 196 da era cristã. Com base nessa associação, Nagarjuna é convencionalmente colocado entre os anos de 150 e 250 da era cristã.

De acordo com uma biografia traduzida por Kumārajīva entre os séculos 4 e 5, Nagarjuna nasceu numa família Brâmane, e mais tarde tornou-se Budista.

Algumas fontes afirmam que Nagarjuna viveu seus últimos anos na montanha de Śrīparvata, próximo à cidade que mais tarde seria chamada de Nāgārjunakonḍa (“Montanha de Nāgārjuna”). Nagarjunakonda está localizada na atual Nalgonda/ distrito de Guntur de Andhra Pradesh.

[Fonte: Hirakawa, Akira. Groner, Paul. A History of Indian Buddhism: From Śākyamuni to Early Mahāyāna. 2007. p. 242 – Via Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Nagarjuna%5D

Tradução livre para português brasileiro por muccamargo.

Quem foi Kumarajiva

Kumarajiva foi o filho de Kumarayana, o qual recusou-se a herdar a alta posição do seu pai no sentido de deixar a vida familiar e cultivar a Via. Durante suas viagens como um mendicante, Kumarayana foi recebido pelo Rei de Kucha, um pequeno reinado da India central, que o convidou a ser Mestre Nacional em seu reino. Mais tarde, através de um decreto imperial, Kumarayana foi forçado a se casar com a filha do Rei, chamada Jiva. Enquanto ela carregava seu filho Kumarajiva, a sua sabedoria e poder de aprendizado cresceram notavelmente, um fenômeno que também ocorrera enquanto Shariputra estava no útero de sua mãe.

Mais tarde, a mãe de Kumarajiva quis deixar a vida familiar. Finalmente, após um período de jejum, ela obteve a permissão de seu relutante marido que, embora anteriormente um monge, havia então adquirido um forte apego à sua bela esposa. Após Jiva tornar-se uma monja, ela rapidamente se certificou para a primeira fruição do Arhatship.

O nome do Sânscrito Kumarajiva significa “jovem maduro”, porque mesmo ainda jovem ele possuía a conduta virtuosa de um idoso. Em um dia ele era capaz de memorizar mais de trinta e seis mil palavras. Em dois dias ele era capaz de recitar o Sutra Flor do Dharma inteiro de memória. Aos sete anos Kumarajiva deixou o lar. Um dia, enquanto visitava um templo em Kashgar na companhia de sua mãe, ele pegou um incensário enorme que estava sobre um dos altares e o colocou sobre sua cabeça como um oferecimento aos Budas. Após assim proceder, ele pensou: “Isto é muito pesado para eu sustentar”, e essa conscientização, ou discriminação,  o tornou incapaz de segurar o incensário, de tal forma que ele teve que apelar para sua mãe para ajudá-lo. A partir dessa experiência, ele chegou à súbita e completa compreensão de que todas as coisas são unicamente produtos da mente.

Durante a Dinastia Fu Chin na China, um astrólogo previu que um grande sábio adviria. O Imperador Fu Jyan reconheceu que o sábio era Kumarajiva, e enviou um numeroso exército comandado pelo General Lyu Gwang para escoltar o Mestre do Dharma para a China. O Rei de Kucha, ignorando o conselho de Kumarajiva de que as tropas em avanço não eram beligerantes, combateu a “invasão”. Na batalha que se seguiu, o Rei de Kucha foi morto e seu exército derrotado. Muitas mudanças políticas se sucederam, as quais retardaram a chegada de Kumarajiva à China até a Dinastia Yau Chin. Kumarajiva estabeleceu um centro de tradução em Chang An, a cidade capital, onde ele traduziu mais de trezentos volumes dos textos dos sutras, em meio aos quais o Sutra Vajra Prajna Paramita, volume 577 do Grande Sutra Prajna.

Original

Kumarajiva, o Mestre do Dharma

Tripitaka. Tripitaka refere-se às divisões dos cânones Budistas:

  1. A divisão do sutra, falada para o estudo do samadhi;
  2. A divisão do vinaya, falada para o estudo da moralidade; e
  3. A divisão do sastra[1], falada para o estudo da sabedoria.

Mestre do Dharma. Mestre do Dharma tem dois significados:

  1. Ele domina o dharma e o concede (preleciona) aos outros; e
  2. Ele assume o dharma como seu mestre.

Há quatro tipos de Mestres do Dharma:

  1. Aqueles que explicam o dharma para outros por meio da leitura dos sutras e da discussão dos princípios do dharma;
  2. Aqueles que lêm e recitam os sutras para outros;
  3. Aqueles que escrevem os sutras para outros; e
  4. Aqueles que aceitam e mantém os sutras em si.

O último tipo de Mestre do Dharma acolhe os princípios de um sutra em seu coração, e através do seu corpo coloca os princípios em prática. O seu cultivo é a incorporação do significado de um sutra. Nem todo o Mestre do Dharma é um Mestre Tripitaka. Alguns podem ter lido somente os sutras, ou somente o vinaya, ou somente a divisão sastra. Como um Mestre Tripitaka do Dharma, Kumarajivahavia penetrado todas as três divisões dos cânones: os sutras, o sastra e o vinaya.


[1] Śāstra é uma palavra do Sânscrito usada para denotar regras no sentido geral – Fonte: Wikipedia, a encyclopedia livre.

Original

Kumarajiva e as Traduções do Sutra Diamante

  1. No período Yau Chin, o Mestre Tripitaka Kumarajiva traduziu o sutra, dando-lhe o título de Sutra Vajra Prajna Paramita. Posteriormente, o sutra veio a ser traduzido por cinco outros Mestres do Dharma.
  2. O Mestre do Dharma Bodhiruci o traduziu no período Ywan Wei e usou o mesmo título de Kumarajiva.
  3. O Mestre do Dharma Paramartha traduziu o sutra na posterior Dinastia Chen também sob o mesmo título.
  4. Na Dinastia Swei, o Mestre do Dharma Upagupta traduziu o sutra sob um título diferente. Ele adicionou a palavra “cortante”, chamando-o de Sutra do Diamante-Cortante ou Cutting-Vajra Prajna Paramita Sutra.
  5. Na Dinastia Tang, durante o décimo-nono ano do período de reinado Jen Gwan, o Mestre do Dharma Hsüan Tsang traduziu o sutra, alterando ligeiramente o título de Upagupta, e chamando-o de Sutra do Diamante que Pode Cortar ou Vajra Which Can Cut Prajna Paramita Sutra. O Mestre do Dharma Hsüan Tsang foi um grande, um virtuoso Monge Superior que caminhou da China à India através da Sibéria com o objetivo de estudar os sutras. Após estudar por quatorze anos, ele retornou à China para traduzir as obras que ele havia coletado.
  6. O Mestre do Dharma Yi Jing também estudou na India, e retornou para a China durante o reinado da Imperatriz We Tse Tyan que deu grande demonstração da sua proteção ao Budismo e comissionou o Mestre do Dharma Yi Jing para traduzir sutras. Sua tradução do sutra manteve o mesmo título do Mestre do Dharma Hsüan Tsang.

Daquelas seis traduções, a do Mestre do Dharma Kumarajiva é considerada a mais aprimorada. Foi o Mestre do Vinaya Dau Sywan quem descobriu a razão das traduções do Mestre Kumarajiva serem aquelas que as pessoas mais gostam de ler e recitar. O Mestre do Vinaya Dau Sywan cultivou especialmente os preceitos e regras monásticas. Nos Quatro Grandes (Modos de) Conduta – caminhar, parar, sentar e reclinar – ele foi extremamente rigoroso. Como é dito no Sutra Surangama, “Ele controlou rigorosamente o seu comportamento pelo severo respeito pelo dharma puro”. Tal comportamento inspira o respeito pelos fantasmas e espíritos, bem como pelos humanos e deuses. O Mestre do Vinaya Dau Sywan foi um exemplo a ser seguido por todos.

Os Quatro Grandes Modos de Conduta referem-se a caminhar, parar, sentar, e reclinar. Caminhar como o vento. Isto não significa como um vendaval que derruba montanhas, arranca árvores, e sopra sobre as casas. Significa como a brisa suave. Parar como um pinheiro. Sentar como um sino. O que não significa como o badalo de um sino – sempre balançando de lá para cá. Sentar como um sino antigo que de tão pesado, nada pode movê-lo. Então se tem um suficiente poder do samadhi. Deitar-se como um arco. Isto é chamado “repouso afortunado”. Coloque sua mão direita sob a face direita, e sua mão esquerda sobre a sua coxa esquerda. O Buda Shakyamuni entrou no Nirvana na postura de “repouso afortunado”.

Em resposta ao soberbo cultivo dos Três Mil Modos de Conduta e das Oitenta Mil Práticas de Excelência do Mestre do Vinaya Dau Sywan, os deuses trouxeram-lhe oferecimentos. Aqueles de vocês que desejam tornar-se mestres superiores devem proteger e manter em observância os preceitos e regras monásticas, e então os espíritos dos protetores do dharma e dos deuses lhe protegerão. Se você viola os preceitos, eles não o farão. O Mestre do Vinaya Dau Sywan era “honrado e puro no Vinaya, um grande exemplo para o mundo tríplice”. Ele era um exemplo para aqueles nos domínios do desejo, da forma, e do espírito; e em resposta os deuses trouxeram-lhe alimento para comer.

Certo dia, quando um deus apareceu com comida, o Mestre do Vinaya Dau Sywan indagou-lhe: “Por que todos gostam das traduções de Kumarajiva?”

O deus, chamado Lu Sywan Chang, respondeu: “Porque Kumarajiva foi o mestre tradutor para os sete Budas pretéritos. Os sutras que ele traduziu são idênticos ao coração do Buda, portanto, todos gostam de ler e recitá-los.”

Além disso, quando Kumarajiva estava para morrer, ele disse: “Eu pessoalmente não sei se há erros nos sutras que traduzi, mas se não houver, quando eu for cremado, minha língua não queimará. Se eu tiver cometido erros, e as traduções não estiverem de acordo com o coração do Buda, então minha língua queimará.” Após Kumarajiva calar-se, seu corpo foi cremado mas sua língua permaneceu intocada pelo fogo, certificando-se totalmente que os sutras que o Mestre do Dharma Kumarajiva traduziu estavam completamente corretos.

A Dinastia Yua Chin (344-413 D.C.) é o nome dado ao período de reinado do Imperador Yau Sying. Não é o mesmo que Ying Chin, período de reinado de Chin Shih Hwang, ou Fu Ching, período de reinado do Imperador Fu Jyan. Quando Fu Jyan foi assassinado por Yau Chang, a dinastia passou a ser chamada Yau Chin em homenagem ao novo imperador. Em sequência, Yau Chang foi sucedido pelo seu sobrinho Yau Sying, e o nome da dinastia Yau Chin foi mantido. Foi durante o reinado de Yau Sying, um forte defensor do Budismo, que Kumarajiva traduziu o sutra.

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