Para Ser Lótus – Fascículo III

Conteúdo deste Fascículo:

Compreendendo os Meios Hábeis dos Três Veículos

O Grande Veículo do Buda ou do Bodhisattva: o Mesmo Veículo!

A Transposição do Grande Portal

A Metáfora do Mundo Saha

A Metáfora do Corpo Físico

Os Reis de Todos os Fenômenos

Trovões que Convidam a Sair da Casa em Chamas

A Nobre Verdade do Sofrimento

O Buda também disse a Kashyapa: “Nobre Filho! Não é apropriado designar o sofrimento como uma Nobre Verdade. Por que isso? Se fôssemos designar sofrimento como ‘a Nobre Verdade do Sofrimento’, então bovinos, ovelhas, asnos, cavalos e os habitantes do inferno também teriam a Nobre Verdade [do Sofrimento]. Nobre Filho! Quem quer que pense que o extremamente profundo [gambhira] domínio / esfera / reino [visaya] do Tathagata – o eterno, o imutável Dharmakaya [Corpo da Verdade] – é um corpo nutrido pela comida, essa pessoa não conhece as virtudes e poderes que o Tathagata possui. Isto [ou seja, tal ignorância da verdadeira natureza do Buda] é ‘sofrimento’. Por que é assim? Devido à ignorância. Uma pessoa vê o Dharma como não-Dharma, e o não-Dharma como Dharma. Saiba que essa pessoa cairá nos reinos da infelicidade e reciclará entre nascimentos e mortes. Isso aumentará os laços da ilusão e a preocupação crescerá. Se ele vem a saber que o Tathagata é Eterno, aquele com o qual não ocorrem mudanças, ou se ele ouve a palavra ‘Eterno’, ele ganhará o nascimento no céu. E alcançando a emancipação, ele verá no presente que o Tathagata é Eterno e Imutável. Quando isso for visto claramente, ele dirá: ‘Eu ouvi sobre isso no passado. Agora que estou emancipado, eu sei isso. Como eu era ignorante no que diz respeito ao Supremo (o Ultimado), eu vinha reciclando entre nascimentos e mortes sem um fim. Hoje, estou esclarecido no que diz respeito ao verdadeiro conhecimento’. Se o conhecimento atinge esse estágio, essa pessoa é verdadeiramente um praticante do sofrimento. A partir disto, há muito a lucrar. Deve-se praticar bem isto, mas se desconhecermos que as coisas sejam assim, nenhum ganho advirá. Isto é o que é chamado conhecimento do sofrimento. Esta é a Nobre Verdade do Sofrimento. Se não se pratica assim, isso é sofrimento e não a Nobre Verdade do Sofrimento”.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 10: Sobre as Quatro Verdades.

O Profundo Significado de Salvar os Seres

Da prática para si à prática para os outros – a essência do Mahayana.

“Se uma pessoa diz: ‘O Tathagata concedeu explanações para cada sutra e vinaya, tão numerosas quanto às areias do Rio Ganges, mas o nosso vinaya não contém quaisquer delas. Não há nada sobre elas. Se existem [tais explanações], como é que o Tathagata não as expôs no meu vinaya? Sendo assim, eu não posso acreditar nelas’. Se uma pessoa fala assim, saiba que essa pessoa está cometendo um pecado. Uma pessoa ainda pode dizer: ‘Esses sutras e vinayas [do Hynayana] eu defenderei bem. Por quê? Porque eles são a razão da boa doutrina, do ser satisfeito, do pouco desejo, da eliminação das ilusões, e assim obtemos Sabedoria e Nirvana‘. Qualquer pessoa que diga isso não é meu discípulo. Se uma pessoa diz: ‘O Tathagata deu-nos os sutras (Mahayana) Vaipulya com a finalidade de salvar os seres’, essa pessoa é meu verdadeiro discípulo. Qualquer pessoa que não aceite os sutras Vaipulya não é meu discípulo. Essa pessoa não é aquela que se tornou um sacerdote em razão dos ensinamentos Budistas. Tal pessoa é mal-intencionada, ímpia, e nada mais é que um discípulo de thirtikas. Esses sutras e vinayas (do Vaipulya), conforme mencionado acima, são aquilo que o Buda concedeu. Se não fosse assim, eles nada mais seriam do que aquilo que Mara diz. Qualquer pessoa que siga aquilo que Mara diz é um aparentado de Mara; qualquer um que siga o que o Buda diz é um Bodhisattva.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 09: Sobre o Errado e o Certo.

A Apreensão do Significado

“Dizemos ‘significado’. ‘Significado’ significa ‘estar satisfeito’. Isto quer dizer nunca, até o fim, enganar (fraudar) procurando demonstrar pureza de comportamento e com arrogância mostrar-se como sendo de uma alta posição, e assim buscar avidamente o lucro. Além disso, não se deve mostrar apego àquilo que o Tathagata diz por razões de conveniência. Isto é alcançar o significado. Se uma pessoa reside nisto, então podemos dizer que essa pessoa reside no ‘Paramartha-Satya’ [Realidade Última]. Esse é o porquê dizermos que nos baseamos no significado dos sutras e não na não-apreensão do significado.

Não-apreensão do significado relaciona-se àquilo que está estabelecido nos sutras dizendo que tudo pode ser extinto, tudo é não-eterno, tudo é sofrimento, tudo é vazio, e tudo é destituído do eu. Isto é não-apreensão do significado. Como assim? Porque essa pessoa não está apta a apreender o significado intentado, mas somente a aparência [literal] do significado. Isto leva todos os seres a cair no inferno Avichi. Por quê? Em razão do apego, como um resultado de que a pessoa não apreende o significado. Uma pessoa diz que tudo caminha para a extinção implicando que a entrada do Tathagata no Nirvana constitui extinção. Uma pessoa diz que tudo é não-eterno, significando que mesmo o Nirvana é não-eterno, e o mesmo se passa com o sofrimento, o vazio, e o não-eu também. É por isso que dizemos que isso é não-apreensão da essência dos sutras. Não podemos seguir isso.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 08: Sobre os Quatro Fidedignos.

A Felicidade Neste Mundo

“Não há maior felicidade que ter fé no Sutra de Lótus. Este nos promete ‘paz e segurança nesta vida e boas circunstâncias na próxima’. Jamais permita que os impasses da vida o perturbem. Afinal, ninguém pode escapar dos problemas, nem mesmo santos ou sábios.

Sofra o que tiver que sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida, e continue orando o Nam-Myoho-Rengue-Kyo, não obstante o que aconteça. Então, experimentará a infinita alegria da Lei”.

Nitiren Daishonin em A Felicidade Neste Mundo, em 1276.

As Escrituras de Nitiren Daishonin, Vol. III.

Receber e Abraçar Sutras

Dizemos que devemos nos basear no receber e abraçar os sutras [aqueles que sondam as profundezas do verdadeiro espírito do Buda-Dharma], e não no não receber e abraçar os sutras. O não receber e abraçar os sutras representa o veículo do Sravaka (Ouvinte). Mesmo ouvindo o profundo e recôndito repositório do Buda-Tathagata, surgem dúvidas em suas mentes com relação a todas as coisas e a pessoa não percebe que esse repositório surge do mar da Grande Sabedoria, como no caso de uma criança que não pode distinguir uma coisa da outra. Isto é a não-apreensão do significado. A realização (o alcance) do significado nada mais é que a Verdadeira Sabedoria do Bodhisattva. Ela flui a partir do desempedimento da Grande Sabedoria de sua mente, como ocorre com um adulto, para quem não há nada que não seja conhecido. Isto é realização do significado.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 08: Sobre os Quatro Fidedignos.

A Sabedoria e a Consciência

Dizemos que nos baseamos na Sabedoria e não na consciência. A Sabedoria é uma alusão ao Tathagata. Se qualquer Sravaka não compreende bem as virtudes do Tathagata, a consciência (deste) não é para ser seguida. Se ele sabe que o Tathagata é o Corpo-do-Dharma, essa verdadeira Sabedoria pode realmente ser seguida. Se uma pessoa vê o corpo expediente do Tathagata e diz que ele pertence aos cinco skandas (deidades populares do Hinduísmo e do Budismo), aos dezoito reinos [isto é, os seis órgãos dos sentidos (nariz, ouvido, etc.), os seis campos do sentido (olfato, audição, etc.) e as seis consciências], e às doze esferas [os seis órgãos dos sentidos e os seis campos dos sentidos], e que ele resulta da alimentação, isso não é para ser seguido. Isto significa que mesmo a consciência não é para ser seguida. Se um sutra diz tal coisa, ele não pode ser seguido.

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP.08: Sobre os Quatro Fidedignos.

O Significado e as Palavras

“Dizemos que nos baseamos no significado, não nas palavras. O significado conota seres plenamente iluminados. Plena Iluminação significa sem-falhas. Sem-falhas significa (plena) satisfação. Satisfação significa que o Tathagata é Eterno e Imutável. Que o Tathagata é Eterno e Imutável significa que o Dharma é Eterno. Que o Dharma é Eterno significa que a Sangha é Eterna. Isto é basear-se no significado. Não se baseie em palavras. Quais são as palavras nas quais não devemos nos basear? São as palavras discursivas e decorativas. Elas [as pessoas que aderem às letras, antes que ao espírito] buscam, também, ávida e insaciavelmente todos os inumeráveis sutras do Buda. Maldosamente, habilmente e insinceramente, elas enganam e, exibindo uma aparência de simpatia e benevolência, elas buscam os lucros. Trajados de branco, eles galgam postos. Eles também proclamam em altas vozes: ‘O Buda permite aos Monges receberem todos os [tipos de] serviços (ajudas nas tarefas) e coisas impuras, comerciar ouro, prata, gemas raras, estocar arroz, comerciar vacas, carneiros, elefantes e cavalos; e assim buscar lucros. E também poderá surgir uma fome, e por piedade das crianças, os Monges podem visar lucros, armazenar coisas e guardá-las numa casa, preparar comidas com as suas próprias mãos e para o seu próprio sustento, ao invés de recebê-las [doações dos outros].’ Todas essas palavras não são para ser seguidas.”

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 08: Sobre os Quatro Fidedignos.

Sutra do Nirvana – Capítulo 2 – Cunda

O Dharma e a Pessoa

“Dizemos que devemos estar baseados no Dharma, não na pessoa”.

O Buda disse: “Estar baseado no Dharma significa nada mais que basear-se no Mahaparinirvana do Tathagata. Todos os ensinamentos Budistas nada mais são que o ‘Dharmata’ [essência do Dharma, essência da Realidade]. Esse ‘Dharmata’ é o Tathagata. Portanto, o Tathagata é Eterno e Imutável. Qualquer pessoa que diga que o Tathagata é não-Eterno não conhece o ‘Dharmata’. Essa pessoa não é alguém que se baseie nele (no ‘Dharmata’). Todos os quatro (tipos) de pessoas mencionadas acima aparecem no mundo, protegem, agem e se tornam um refúgio [para todos os seres]. Por quê? Porque eles realmente compreendem os pontos mais profundos daquilo que o Tathagata diz e sabem que o Tathagata é Eterno e Imutável. Não é bom dizer que o Tathagata é não-Eterno e que ele muda.

Os quatro (tipos) de pessoas, quando (aparecem) como tais, são o Tathagata. Por quê? Porque esses (tipos de pessoas) compreendem bem e falam acerca das palavras secretas do Tathagata. Alguém que compreenda bem o que está profundamente oculto e sabe que o Tathagata é Eterno e Imutável nunca dirá, por lucro, que o Tathagata é não-Eterno. Essa pessoa é alguém em quem basear-se – por que não nos quatro (tipos) de pessoas?

Excerto do Sutra do Nirvana, CAP. 08: Sobre os Quatro Fidedignos.

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