A Paz no Dharma Correto

“O Bodhisattva sempre se deleita na tranqüilidade pregando a Lei;

no chão limpo ele prepara o seu assento,

unta seu corpo com óleo,

e lava-se do pó e da sujeira.

Vestindo roupas frescas e limpas,

completamente puro por dentro e por fora,

sentado seguramente no assento do Dharma,

ele responde as questões.

Se houver Monges ou Monjas,

reis, príncipes, altos ministros,

estudantes ou pessoas do povo,

em busca do princípio sutil e maravilhoso,

através de uma conduta harmoniosa ele prega-lhes a Lei.

 

Se houver questões difíceis,

ele as responde de acordo com o princípio.

Usando causas, relações e parábolas,

ele as expõe fazendo distinções.

Através do seu uso de tais meios hábeis,

todos são levados à decisão que gradualmente aumenta na medida em que entram na Via do Buda.

Abandonando pensamentos de lassidão e indolência,

libertando-se de todas as aflições,

ele prega a Lei com um sentimento compassivo.

Seja dia ou noite,

ele sempre prega o supremo ensino da Via.

Através de causas e relações,

e de ilimitadas parábolas e analogias,

ele instrui os seres viventes,

levando-os a tornarem-se alegres.

 

Sejam roupas, aposentos, comida, bebida ou remédios;

com relação a essas coisas,

ele não guarda expectativas.

Seu único objetivo é pregar a Lei de acordo com as relações causais;

seu desejo é realizar a Via do Buda,

e levar os seres viventes a fazer o mesmo.

Este, então, é o grande benefício:

o oferecimento da paz e do conforto.

Após o meu Nirvana,

se houver um Monge que, verdadeiramente,

esteja apto a expor acerca do Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa,

sem sentimentos de inveja ou ódio,

sem aflições ou impedimentos,

ele não terá inimigos e nem detratores.

 

Ele também não temerá espadas ou bastões,

nem será exilado,

porque será resoluto na sua paciência[1].

Um sábio é assim:

cultivando bem suas idéias,

ele residirá na paz e no conforto.

Como explanei acima,

os méritos e virtudes desta pessoa não poderiam ser descritos completamente através de números ou parábolas,

mesmo ao longo de dez milhões de kalpas”.


[1] Nesta passagem o Buda diz que Monges verdadeiramente instruídos sobre as regras de conduta e as associações próprias de um Bodhisattva não estarão sujeitos às perseguições enumeradas no Capítulo 13 – Exortação para Abraçar o Sutra, feitas pelos Bodhisattvas em seu voto de expor o Sutra da Flor de Lótus da Lei Maravilhosa no mundo Saha. As distinções utilizadas pelos Bodhisattvas Mahasattvas quando se referem a uma “era vindoura” constituem uma retribuição pela discriminação que fazem: “É em razão da retribuição pela discriminação que os fenômenos vêm a existir ou a não existir, que os faz parecerem reais ou irreais, criados ou extintos.

Extraído do CAP. 14: Conduta para a Prática Bem-Sucedida.

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