A Caixa Preta

O Barco é conduzido por alguém de aparência enganosa, e tudo parece transcorrer dentro da normalidade, até que o mesmo adentra uma região escura.

Naquela região, pressente-se que o barco está desgovernado, desembestado.

Olha-se para dentro: onde está o condutor?
Olha-se para fora: escuridão, penhascos, rochas, destroços para todos os lados, incêndios, muitos náufragos, gritos de desespero.

Nam-Myoho-Rengue-Kyo! Grita o sobrevivente.
Nam-Myoho-Rengue-Kyo! Ainda há tempo, pensa.

O barco desacelera e descreve uma curva revertendo a sua trajetória, parecendo adentrar águas tranqüilas, ainda na escuridão.
O sobrevivente, em estado de profunda consciência, sabe agora quem conduzira o barco pelas águas tormentosas de Samsara, e que o abandonou.

Nam-Myoho-Rengue-Kyo! Grita o sobrevivente.
Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

Com a voz embargada, difícil de sair, o sobrevivente repete:

Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

O condutor, a quem agora o sobrevivente se dirige, parece estar em toda parte, possui uma constituição difusa, parece ser muitos, talvez sejamos todos nós. Admoesta-lhe:

Nam-Myoho-Rengue-Kyo! Este Sutra é o tesouro secreto de todos os Budas das dez direções. Submeta-se a ele, demônio.
Nam-Myoho-Rengue-Kyo!

Então, o sobrevivente desperta de seu amargo pesadelo em 01/08/2007, às 23:45 hs. Respira aliviado. Ainda há tempo.

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